domingo, outubro 22, 2006

Malandragem


Havia um País que tinha apenas um fornecedor nacional para um determinado produto.

Depois de elaborado um estudo técnico-económico, considerado cientificamente bem elaborado, foi decidido que esse produto devia ser fornecido, a partir de 2007, a cerca de 5 milhões de pessoas, com um agravamento da ordem dos 16%.

O Povo, na grande generalidade ficou estupefacto com essa subida, protestou contra este agravamento e tinha razões poderosas para o fazer, pois ainda não tinha sentido que “ A CRISE “ tinha acabado.

Então aparece um Senhor importante e com poder de intervenção e cheio de boa vontade e disse “ Alto e pára o baile – Isto não pode ser “. Apesar da sua estatura ser baixa, deu um murro em cima da mesa, com tanta violência que o Povo exclamou – “ Temos Homem – Este é que nos vai resolver o problema “.

E, não é que o problema foi minorado, pois o aumento previsto, foi reduzido em mais de 50%.

O POVÃO tem que estar eternamente grato a este Senhor. Se não fosse ele, iríamos todos pagar, com língua de palmo, o agravamento do produto.

É necessário que em cada Terrinha, mesmo no mais recôndito lugar deste País o POVÃO não esqueça tamanho feito. Sugiro que o nome deste Senhor seja perpetuado na toponímia dos arruamentos existentes nos 308 Municípios.

NOTAS FINAIS

É claro que esta estratégia, não tinha sido previamente combinada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Qualquer semelhança desta história com o problema do tarifário eléctrico para 2007, é pura coincidência.!!!!!!!!!!!!!!!!


quinta-feira, setembro 14, 2006

Excesso de velocidade










No passado fim-de-semana, o Sr. Ministro da Economia-Dr. Manuel de Pinho foi interceptado pela Brigada de Trânsito, quando circulava na A1, na zona de Leiria, à modestíssima velocidade de 212Km/hora.

Foi levantado o auto respectivo ao motorista, mas o Sr. Ministro seguiu viagem, embora, moralmente, ele seja o único culpado pela infracção.

O Sr. Ministro disse às autoridades que tinha saído tarde de casa (devia ter-se levantado mais cedo) e justificou o excesso de velocidade pela urgência em chegar a Matosinhos, onde creio que iria ter uma reunião para resolver o problema dos terrenos ocupados pela Exponor e que vai deslocar-se para o Europarque em Santa Maria da Feira.

Há 3 anos, o Rei duma Monarquia dum dos Países nórdicos, na véspera do seu aniversário, resolveu ir, pessoalmente, ao Aeroporto para receber um familiar que vinha dos EUA, para assistir à sua festa de aniversário.

Foi apanhado na Auto-Estrada a 160Km/hora. Para além de pagar a multa respectiva, teve que ir à televisão pedir desculpa aos seus concidadãos pela conduta cívica incorrecta que tinha tido.

Aqui, em Portugal, não é preciso um Ministro, em iguais circunstâncias, pedir desculpa.

É que nós não estamos numa Monarquia …. Mas numa Republica das Bananas.

terça-feira, setembro 12, 2006

11 de Setembro de 2001


Fez ontem 5 anos que estava na Costa Cálida, em La Manga del Mar Menor (Múrcia-Espanha) – foto 1.

Tinha ido à cidade de Cartagena, no princípio da tarde e, na viagem de regresso tomei conhecimento, através das notícias difundidas pelo rádio, do que estava a acontecer em Nova Iorque.

As primeiras notícias não permitiam concluir que se tratava dum ataque terrorista. Só depois de algum tempo, com o ataque do 2º avião ao WTC e de um outro ao Pentágono, é que se ficou a saber que era um ataque terrorista aos símbolos do poderio dos EUA – poder económico e militar.

O Mundo desde esse dia, nunca mais foi igual.

Em nome duma politica securitária, foram tomadas algumas medidas a nível mundial que restringem, um pouco, a nossa liberdade individual.

Agravaram-se os conflitos regionais, sobretudo no Médio Oriente e a possibilidade de paz duradoura nessa região é uma miragem.

O medo dum ataque terrorista, sobretudo nos meios de transporte das grandes metrópoles, instalou-se, pois dum momento para outro pode ocorrer um ataque. As infra-estruturas distribuidoras de água aos grandes centros populacionais podem ser atacados com produtos biológicos e químicos, que provocarão dezenas ou centenas de milhares de vítimas.

O barril do crude custava, em 2001, cerca de 20 dólares, quando agora custa mais de 70 dólares, o que agravou o estado da economia mundial.

O Mundo está complicado. Como combater este novo tipo de terrorismo global?

As respostas não são simples. Pelo recurso à guerra, pelo diálogo com os lideres políticos moderados, por politicas sociais que diminuam as desigualdades sociais existentes em certas zonas do Globo?

Dizem alguns analistas que este terrorismo global não é um choque de civilizações. Então como se explica que, na base deste conflito, estejam povos que praticam, na generalidade, uma das 3 religiões monoteístas que derivam de Abraão – judaísmo, islamismo e cristianismo?

sexta-feira, agosto 25, 2006

Mochilas Escolares

Encarregados de educação duma freguesia de Santa Maria da Feira promoveram um protesto contra o peso das mochilas escolares.

Pediram, também, que a Presidência da República se associasse à sua luta.

A mim causa-me alguma preocupação a maneira como os alunos, sobretudo os mais jovens, transportam aos ombros quilos de livros e manuais em condições que provocam, de certeza, malefícios à coluna vertebral.

Com a evolução da tecnologia e sobretudo da Internet, seria aconselhável que os manuais escolares fossem substituídos por fichas temáticas formato A4.

Os alunos, em vez de transportarem quilos de livros, poderiam transportar numa simples pasta as fichas dos temas que vão sendo abordados nas aulas. (equações, renascimento, lutas liberais, metamorfismo, electrodinâmica etc.).

Através da Internet os alunos poderiam ampliar os seus conhecimentos, fazendo pesquisa suplementar sobre os temas, imprimindo-os em folhas A4, o que os obrigaria a serem responsáveis pela sua valorização pessoal.

Ao Pais, em vez de terem de despender somas avultadas, no mês de Setembro, com a aquisição dos livros e dos manuais, poderiam fasear as suas despesas duma forma mais espaçada, ao longo do ano.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Preço dos Produtos Agrícolas

No passado mês de Junho, uma queda de granizo atingiu a região de Carrazeda de Ansiães.

As videiras da região duriense foram fortemente danificadas, tendo acontecido o mesmo nos vários pomares de maçãs.

Um dos fruticultores de Carrazeda de Ansiães, em anos normais, costuma colher cerca de 600 toneladas de maçãs, numa sua propriedade com 17 hectares.

Este ano a produção, por causa do granizo, vai ter uma quebra de 60%.

Fiquei espantado com os preços pagos ao fruticultor pelas suas maçãs. As de boa qualidade, sem mazelas e com os calibres estipulados, são-lhe pagas a 0,25 euros/Quilo, enquanto que as maçãs de refugo são vendidas para Espanha a 0,05 euros/Quilo, destinadas às fábricas de sumos.

Comparei esses preços de maçãs de boa qualidade, com os preços afixados nos supermercados, no dia de hoje. Os preços sofreram um agravamento de 400 a 600%.

O desgraçado do fruticultor teve que podar as árvores, fazer os tratamentos fitossanitários, proceder à estrumação ou adubação dos terrenos, colher e embalar a fruta, para no fim receber uma migalha, quando se compara o lucro obtido pelos intermediários na comercialização.

O mesmo acontece com o vinho. O lavrador dificilmente vende vinho a mais de 1,5 euros/litro. Quando vamos a um restaurante, iremos pagar mais 500% por uma garrafa com apenas 0,75 litros.

Há dias, os jornais referiam, também, que o preço do peixe no consumidor final, é multiplicado por seis, entre a captura e a colocação no mercado.

No caso da agricultura, o esmagamento dos preços dos géneros alimentares produzidos, vai desmotivar os lavradores e, no futuro, vai provocar a desertificação e o abandono das terras.

Depois, no Verão, aparecem os incêndios, para dar cabo da nossa paisagem rural e da biodiversidade, devido ao abandono dos campos.

Entretanto, compramos 60% do que comemos, no estrangeiro!!!!!!

quinta-feira, agosto 10, 2006

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS







Ultimamente, têm aparecido noticias que nos devem fazer pensar:
- As cataratas da Foz do Iguaçu na fronteira do Brasil com o Paraguai (que é Património da Humanidade e onde estive em 1986), que tinham mais 2 centenas de quedas de água, por onde passavam 1,5 milhões de litros de água/segundo, estão reduzidas a uns fios de água,
- Mais de 1 centena de pinguins chegaram, há dias, às praias de Copacabana, desnutridos e doentes,
- As águas do Mediterrâneo entre Múrcia e Barcelona, bem como as das Ilhas Baleares ultrapassaram os 30º, pelo que as medusas atacaram os banhistas. Mais de 6.000 tiveram que ser tratados nos hospitais, vítimas de picadelas urticantes,
- O Noroeste da Índia tem tido chuvas torrenciais e o Nordeste da Índia tem tido períodos de seca terríveis, que arruinaram as plantações de algodão. Desde 2001 que cerca de 10.000 agricultores se suicidaram, por não conseguirem pagar as enormes dividas contraídas para sobreviver,
- A Etiópia tem sofrido chuvas torrenciais,
- Em Nova Iorque, devido às temperaturas elevadas, as centrais de energia aumentaram a sua capacidade para o máximo, mas mesmo assim os edifícios públicos tiveram que reduzir a iluminação, o uso dos elevadores foi limitado, as piscinas publicas ficaram abertas durante a noite e foram criados 383 locais refrigerados para acudir a pessoas com problemas de saúde devido ao calor, o preço do gás natural disparou e o metropolitano reduziu a velocidade de circulação para poupar energia,
- Os técnicos de meteorologia prevêem que a costa nordeste dos EUA vai ter, este ano, menos furacões do que no ano passado, mas estes serão muito mais fortes e provocarão mais estragos do que os furacões Katrina ou o Wilma,
-980 Habitantes do Sul do Pacífico tiveram que abandonar as suas ilhas, pois estão em vias de ser engolidas pela subida das águas do oceano,
- Na cidade do Funchal estão a ser pulverizados os espaços verdes para eliminar mosquitos de origem tropical e que podem provocar doenças,
-Os pardais desapareceram nas cidades a sul de Londres.

O clima está mesmo a mudar. As temperaturas irão aumentar., se não forem tomadas medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Com o aquecimento das águas dos oceanos, as pescas vão diminuir. A agricultura estará ameaçada pela seca e pelo stress hídrico e as vagas de calor vai afectar as pessoas que tenham problemas cardíacos ou respiratórios.

A culpa desta situação é de cada um de nós, que, muitas vezes, não sabemos proteger este belo Planeta.

INCÊNDIOS FLORESTAIS

INCÊNDIOS FLORESTAIS


Ontem, por volta das 16 horas, saí de casa, para ir ver a FARAV(Feira de Artesanato de Aveiro).

Entre Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis, comecei a ver muita gente nas margens da estrada e vi também muitas faixas publicitárias, afixadas em locais estratégicos.

Era a 4ª etapa da Volta a Portugal em bicicleta, que tinha saído de Viseu e que iria terminar em São João da Madeira. Os batedores da GNR obrigaram-me a parar na berma, para que os ciclistas fizessem a prova em segurança.

Como disse, havia muita gente nos terrenos marginais à EN 224, sobretudo numa zona entre Ossela e Oliveira de Azeméis, repleta de floresta densa.

Regressei de Aveiro, por volta das 21 horas.

Quando passei em Ossela senti um cheiro a queimado, parecendo que os bombeiros teriam actuado com água para combater um incêndio.

Hoje, no noticiário das 13 horas, vim a tomar conhecimento de que um fogo tinha alastrado e estava quase a atingir a parte urbana de Oliveira de Azeméis e o Parque de La Salette.

Porque é que ocorreu este incêndio?

Suponho que as várias centenas de pessoas que aguardavam a passagem da caravana da Volta a Portugal, tenham fumado e deitado algumas pontas de cigarros para o chão das matas.

O calor elevado e o vento com alguma intensidade, deve ter ajudado à combustão.

Continuo a pensar que a grande maioria dos incêndios florestais tem por base a incúria, o desleixo e a falta de cuidado.

A falta de limpeza das matas e o tipo de povoamentos arbóreos existentes nas matas, tornam a situação num “cocktail explosivo “

VERÃO EM PORTUGAL …………É PORTUGAL A ARDER

quinta-feira, julho 27, 2006

RESERVAS ESTRATÉGICAS DE ÁGUA


Está em fase de discussão pública até ao dia 9 de Agosto o PNPOT (Programa Nacional da Politica de Ordenamento do Território.).

Os recursos hídricos e a política da água estão contemplados no PNPOT, pois trata-se duma questão essencial para a sobrevivência humana.Qual é a nossa qualidade de vida, quando ficamos privados de água durante 2 dias apenas?

A maioria da água doce (cerca de 70%) a nível mundial é utilizada pela agricultura, mas os sistemas de irrigação são, na grande generalidade, ineficientes, perdendo-se aproximadamente 60% de água, devido à evaporação, pois rega-se. muitas vezes às horas de maior incidência solar. Bastava melhorar as técnicas de irrigação na agricultura em 10% a nível mundial, para termos água suficiente para uso doméstico em todo o Mundo.

Portugal tem necessidade de 7,5 mil milhões de m3 anuais de água. Recorremos muito às reservas subterrâneas, particularmente em períodos de seca. A capacidade de armazenamento de água no País é ridícula, se a compararmos, por exemplo, com a Espanha. Temos mais água que a Espanha, mas confrontamo-nos com uma má gestão deste recurso e com falta de planeamento, o que se torna evidente, quando, neste momento, olhamos para o Alqueva, que está com uma excelente capacidade de armazenamento, mas os agricultores com propriedades ao lado da barragem, não podem aproveitar uma única gota.

Assim penso que:
- Devemos criar “ reservas estratégicas de água “, sobretudo nos rios nacionais, instalando albufeiras em vales encaixados (para tornar os custos de represamento mais baixos), nomeadamente nos rios e afluentes do Douro, Cavado, Vouga, Mondego e Zêzere. Estas albufeiras permitiriam o desenvolvimento de horto-fruticulturas de alto valor acrescentado, a promoção de actividades de turismo e lazer, o combate à desertificação e permitiriam um combate mais eficaz aos fogos florestais.

- Temos que ter uma gestão dos recursos hídricos, assente em 3 vectores:
- Gestão por bacias, para quantificar os ganhos e as perdas de água, desde a nascente e até ao lançamento no mar,
- Gestão por objectivos de qualidade, em função dos usos
- Gestão por normas de rejeição, evitando o lançamento de poluentes

- Temos que combater os desperdícios, pois perde-se 1/3 da água entre a captação e o consumidor final,

- Devemos iniciar nas Escolas uma campanha de sensibilização para poupar água. Se cada um de nós poupar 10 litros/dia, esse gesto representa, para Portugal, uma poupança diária de 100.000 m3.