quinta-feira, março 31, 2005

CONSENSO OU ROTURA?

Vivemos numa época fortemente concorrencial em termos de mercado, dada a globalização à escala mundial.
Há empresas, gestores, sindicatos e operários que, perante o mesmo problema, têm comportamentos diferentes. Uns entendem que o Mundo mudou muito nos últimos anos e que não é possível manter as mesmas atitudes estáticas de ontem e outros nem querem ouvir falar de novas posturas comportamentais. Uns entendem que só pelo entendimento mútuo e pelo diálogo é possível chegar a soluções equilibradas e outros negam a possibilidade de se obter consenso úteis para todos. Uns entendem que o capital e o trabalho têm que dar as mãos para vencer os desafios do Mundo competitivo de hoje e outros pensam que o capital e o trabalho têm que se guerrear mutuamente.
Dois exemplos tirados do mundo empresarial português:
- A Auto-Europa, sediada em Palmela, é responsável por 10% das exportações nacionais. Tem, neste momento, 2955 trabalhadores directos e garante o emprego a 5746 trabalhadores indirectos.
A Auto-Europa vai ficar, pelo menos, mais 20 anos em Portugal, pois foi escolhida para produzir o VolKswagen Cabrio, que começará a ser fabricado no final deste ano. Este modelo começará a ser comercializado na Europa no 1º trimestre de 2006 e posteriormente nos EUA.
Antes de ser firmado este contrato de produção, a continuação da Auto-Europa em Portugal esteve tremida e ficaram em causa os postos de trabalho.
Numa atitude que é de saudar, gestores e operários sentaram-se à mesa e chegaram ao seguinte acordo:
-quando há encomendas em quantidade e com prazos de entrega apertados, os trabalhadores recebem créditos pelas horas extras, criando-se um “ Banco de Horas “.
-quando há períodos de retracção no mercado, os trabalhadores ficam em casa, recebem o seu vencimento normal no fim de cada mês e descontam esse tempo do seu “ Banco de Horas “.
-os operários, para evitar despedimentos, concordaram com o congelamento salarial, até que a situação do mercado evolua satisfatoriamente

- A fábrica da General Motors, sita na Azambuja, viveu um problema idêntico, mas adoptou soluções diferentes:
-todas as fábricas da GM na Europa (Saragoça, Polónia, Alemanha de Leste e Portugal) estão em competição entre si para produzir o novo Opel Combo.
O País que oferecer melhores condições de laboração ganha a produção do modelo, a partir de 2008.
Num momento tão crucial os 1200 trabalhadores entraram em greve, reclamaram um aumento de 75 euros e recusaram um aumento de 2% proposto pela administração (que seria actualizado no final do ano de acordo com a inflação), bem como a extensão de 16 horas anuais na jornada de trabalho
Os trabalhadores da Opel não estão a discutir um aumento salarial, estão talvez a decidir sobre o seu futuro profissional a partir de 2008.

Dois problemas idênticos, com soluções diferentes.

Os que entendem os desafios do Mundo competitivo de hoje, venceram.
Os que pensam viver num “ parque jurássico” estão a caminhar a passos largos para a extinção, como aconteceu aos dinossauros.

quarta-feira, março 30, 2005


Escadaria de acesso a uma parte do Mosteiro de Arouca.
Existe uma escadaria igual,na Perfeitura da cidade de Mariana, Minas Gerais, que foi construída por um mestre pedreiro que no século XVIII foi para o Brasil - José Pereira Arouca.

DESPERDÍCIO DE MEDICAMENTOS

Um estudo recente levado a efeito na Região Centro do País, chegou à conclusão de que metade dos medicamentos prescritos pelos médicos, não é utilizada pelos doentes.
Verifiquemos em nossas casas a quantidade de medicamentos que compramos (muitos com a comparticipação do Estado) e que não tomamos.
Este facto representa um prejuízo, que se calcula possa ultrapassar 1.500.000.000 de euros (1% do PIB português). Este valor é equivalente ao custo da construção de 3 Pontes Vasco da Gama.
Há que tomar medidas para evitar este desperdício lesivo dos interesses nacionais:
- Redimensionar as embalagens para menores quantidades de medicamentos, podendo ir-se até à mini-dose (prescrição exacta do número de comprimidos necessários para o tratamento sem desperdício).
-Definir novas regras “ guide lines “ para a prescrição de antibióticos, já que eles representam 51,9% dos medicamentos envolvidos no estudo elaborado, valor este que deve reflectir a realidade nacional.
Há também que criar hábitos junto dos doentes para evitar a “ banalização “ dos medicamentos (auto-suspensão do tratamento) por se pensar que já se está curado.
Por fim registe-se que as farmácias portuguesas recolheram, no último ano, 365 toneladas de medicamentos que não chegaram a ser utilizados.
Tudo isto pesa no Orçamento Geral do Estado, bem como no agravamento do deficit.
A malbaratarmos assim os nossos recursos financeiros, não vamos a lado nenhum.
A única beneficiária desta situação será a indústria farmacêutica.

terça-feira, março 29, 2005

DISCUSSÃO E ASSASSINATO

Ontem dois condutores, em Lisboa, entraram em conflito, devido a um pequeno toque que uma das viaturas tinha provocado na outra, ao tentar estacionar.
Os dois condutores travaram-se de razões, agrediram-se de forma selvática e ao fim dessa luta que se prolongou por algum tempo, parecia que tudo tinha ficado sanado.
Mas não estava.
Um dos condutores dirigiu-se ao seu carro, puxou duma pistola e desferiu 3 tiros no outro condutor.
O condutor atingido ainda foi levado para o hospital, mas acabou por falecer.
O agressor, ao ser preso pelas autoridades manifestou o seu arrependimento pelo ocorrido e para o qual não encontrava justificação plausível.
O arrependimento, no entanto, chegou atrasado.
Como é possível que pessoas, que se dizem civilizadas, percam as estribeiras por uma questão de “ latas e chaparia “?
Como é possível tirar a vida a uma pessoa de 25 anos, que devia ter sonhos e projectos a concretizar e que, por causa da porcaria dum pequeno toque de latas, vê esses sonhos e projectos ruírem estrondosamente?
O ser humano, em certas circunstâncias, é “ UMA AUTÊNTICA BESTA “

segunda-feira, março 28, 2005


Jardim em Carregosa ( Oliveira de Azemeis )

O FUTEBOL E A PAZ

O português mais conhecido do Planeta, neste momento, é o treinador do Chelsea que, aproveitando a paragem do campeonato inglês durante o período da Páscoa, transformou-se em Embaixador da Paz, durante este fim-de-semana.
Para isso deslocou-se a Israel, a convite da fundação “ The Peres Center for Peace “para ensinar e dar um treino a cerca de 1000 jovens palestinianos e israelitas que, apoiados por Shimon Peres treinam futebol, 3 vezes por semana, em equipas mistas.
Quando Shimon Peres apresentou o José Mourinho disse que “ o futebol é a única guerra em que não há mortos “.
Mourinho no convívio que teve com os jovens israelitas e palestinianos disse que “ sem paz não há futuro, não há sonhos, não há objectivos “.
Um dos jovens palestinianos que está integrado nestas equipas mistas de futebol, confessou que, antes de entrar neste projecto, estava determinado em ser suicida-bomba, mas que desistiu desse objectivo, depois de conviver com os colegas do futebol.
São gestos como este que podem ajudar a construir a Paz.
Nos adultos há ódios instalados, que dificilmente se apagam.Por isso actuar junto das crianças, através da convivência mútua, pode representar o passo decisivo para que o Médio Oriente encontre o caminho da Paz o único que vale a pena trilhar.
Não é enviando exércitos poderosos para certas regiões para subjugar e esmagar populações indiscriminadamente que será possível aproximar os homens entre si.
Com as verbas gigantescas dispendidas, por exemplo, no Iraque era possível combater a fome e a pobreza que afecta mais de um bilião de indivíduos, ajudar a dar melhores condições de vida às pessoas carenciadas, construindo infantários, escolas, universidades, hospitais e saneamento básico em África e na Ásia.
Se George W. Bush e os seus conselheiros implementassem esta politica, de certeza absoluta que S. Pedro, quando eles deixassem este Mundo, abria-lhas as portas do Céu, porque tinham feito o Bem e tinham ajudado a criar a Paz e a compreensão mundiais.
Pelo andar da carruagem, parece que, infelizmente, eles vão encontrar as portas fechadas.
A violência é uma estrada de um só sentido – conduz à violência

quarta-feira, março 23, 2005

CITAÇÕES DO DIA

Não uses um canhão para matar um mosquito


Quem nasce para lagartixa, nunca chega a jacaré.


Quando é que Noé construiu a arca? Foi antes do dilúvio

A Pérola do Bolhão- É talvez a mais bonita loja sita na Rua Formosa, na cidade do Porto. Nesta loja tradicional comercializam-se os produtos de mercearia fina,charcutaria,vinhos, bacalhau e queijos da Serra da Estrela.Dentro do estabelecimento vive um gato preto para disuadir os eventuais roedores.

terça-feira, março 22, 2005

PORTAGENS NAS SCUTS

Sempre que vou de Arouca para a cidade do Porto utilizo a A1, a partir de Santa Maria da Feira e pago 1,15 euros por cada viagem.
Acontece que, hoje, na deslocação que fiz ao Porto não utilizei a A1, dado que há um troço de 10 Kms em obras, para construir mais 2 faixas de rodagem.
Por isso, para evitar eventuais atrasos, em Santa Maria da Feira, utilizei a A29, construída pela Lusoscut e não paguei qualquer portagem.
Durante o percurso pensei no benefício que estava a usufruir e reflecti sobre algumas opiniões que têm sido emitidas sobre a problemática da existência ou não de portagens nas Scuts.
Eis a reflexão que faço sobre este problema:
- As Scuts quando foram construídas visaram dar maior competitividade às empresas situadas nas proximidades desses itinerários, para além de dar melhor segurança e bem-estar aos cidadãos beneficiados por estas infra-estruturas.
- Dada a escassez de recursos financeiros, o Governo encontrou um esquema de construção/financiamento que permitiu ter hoje melhores estradas, em vez de as termos daqui a 20 anos.
- Acontece, porém, que os encargos financeiros com estas Scuts custam, em 2005, mais de 500 milhões de euros ao Orçamento Geral do Estado e em 2008 serão cerca de 750 milhões de euros. Os encargos vão, a seguir decrescendo até ao fim da duração da duração do contrato que, creio que se prolonga até 2030.
- O actual Governo garante que vai manter estas Scuts sem portagens. É louvável que o Governo queira cumprir o que prometeu em campanha.

A pergunta que faço a mim próprio é esta – alguém tem que pagar.

- Na última semana o Sr. Governador do Banco de Portugal sugeriu que deveria ser o sector rodoviário a pagar o custo das infra-estruturas que utiliza
- Quer isto dizer aumentar, nomeadamente o IA (imposto automóvel) e o ISP (imposto sobre combustíveis).
- Acontece que o IA cobrado em Portugal representa 58% do preço dos veículos, enquanto que, por exemplo em Espanha, representa apenas 27%.
- Poderemos ter, portanto centenas de milhares de portugueses (no interior do País, nos Açores e na Madeira) que vão pagar mais impostos (que vão ser canalizados para pagar os custos das Scuts), sem que nunca utilizem essas infra-estruturas durante as suas vidas.
- Trata-se, portanto, duma medida duplamente injusta.
- Acontece, também, que as Scuts são utilizadas por transportadores internacionais que beneficiam dessas infra-estruturas, sem pagar qualquer encargo.
- Quem utiliza as Scuts deve pagar o custo da construção destas infra-estruturas pois, mesmo pagando portagens, há economia no combustível gasto, bem como na manutenção das viaturas já que estas não estão sujeitas a tanto desgaste, para além da redução no tempo das deslocações.

De Arouca ao Porto são 60 Kms. Eu não me importo de pagar portagens nas auto-estradas ou na Scuts, pois, faço o percurso em 30 minutos em vez de 60 minutos, gasto menos combustível, tenho menos desgaste de pneus etc. etc.

Construam uma Scut junto à minha residência PORRA !

segunda-feira, março 21, 2005


Cerejeira à entrada de minha casa.

DIA DA ÁRVORE

Hoje começa a Primavera (com chuva felizmente) e comemora-se também o Dia da Árvore.
Dia Mundial da Árvore um dia em que todos devemos reflectir sobre esse valioso património que são as árvores.
Normalmente andamos tão atarefados e tão obcecados pelos problemas do quotidiano, que passamos muitas vezes pelas árvores que nos rodeiam e não as vemos.
Apesar de, muitas vezes, andarmos distraídos relativamente às funções que as árvores representam, o Homem não deixa de beneficiar e de socorrer-se desta grande amiga que é a Árvore, pois ela .
Suaviza-nos o clima
Purifica o ar
Oferece sombra nos dias de calor
Aquece-nos nas noites gélidas do Inverno
Serve para construir as nossas casas e os nossos móveis
E até aconchega o Homem, em meia dúzia de tábuas, quando ele
parte para a grande viagem final da vida

As árvores condicionam, portanto, a vida do Homem, todos os dias, desde o berço até à sepultura.
A floresta para além do papel essencial que representa no equilíbrio ecológico, contribui para a qualidade do meio ambiente, desde que racionalmente explorada, evita a erosão desde que sejam aplicadas técnicas adequadas de plantação e responde, hoje, a uma importante necessidade de matérias primas destinadas à indústria, criando actividades económicas e emprego em zonas menos favorecidas e contribuindo, por outro lado e em outras zonas, para a criação de mais riqueza e mais emprego.
Gostaria de terminar esta reflexão, transcrevendo um poema oriental, que deve calar fundo em todos nós:
HOMEM,
-eu sou o calor do teu lar, nas noites frias do Inverno
-sou a tua sombra amiga, quando o sol de verão queima
-sou a trave da tua casa, a tábua da tua mesa
-sou o leito em que dormes, a madeira dos teus barcos
-sou o cabo da tua enxada e a porta da tua cerca
-sou a madeira do teu berço e as tábuas do teu caixão

ESCUTA A MINHA PRECE HOMEM!
-deixa-me viver para suavizar os climas e fazer desabrochar as flores
-deixa-me viver para deter tufões e impedir tempestades de areia
-deixa-me viver para acalmar os ventos
-deixa-me viver para impedir as inundações

EU SOU
-a Mãe de todos os rios, porque os regatos são os meus filhos
-sou a riqueza do Estado e dos Povos, porque torno ricas as aldeias
-embelezo a tua Terra com a verdura do meu manto

HOMEM!

Escuta o que te peço

NÃO ME DESTRUAS

quinta-feira, março 17, 2005

PREÇO DO PETRÓLEO

O preço do petróleo atingiu, hoje, os 55 dólares/barril em Londres e 57 dólares/barril em Nova Iorque.
Antes dos EUA terem invadido o Iraque, tive oportunidade de ler uma reportagem sobre os custos de extracção do petróleo nas diversas jazidas mundiais.
As características geológicas dos locais de extracção e os encargos com a colocação do crude nos terminais portuários influenciam o preço final.
Através dessa reportagem fiquei a saber que a extracção de petróleo nos Países do Médio Oriente custa em média 4 dólares/barril, em Angola e na Venezuela 8 dólares/barril, no Mar do Norte 13 dólares/barril e nos EUA 15 dólares/barril.
Tenho pensado nestes valores e dou-me, de vez em quando, a fazer as seguintes conjecturas:
-George W. Bush e os seus colaboradores mais directos estão directamente ligados ao sector dos petróleos
-os preços do crude oscilam conforme a instabilidade do mercado e de acordo com os picos de consumo
-a China (que será o futuro gigante económico no Mundo) tem aumentado duma forma exponencial o consumo de petróleo, para continuar a ter uma economia a crescer a 10%/ano
-a invasão do Iraque conduziu à instabilidade quantitativa dos fornecimentos e à destruição de muitos pipelines.

Por isso concluo que George W. Bush e os seus amigos ligados à indústria do petróleo, com os preços inflacionados como estão, conseguem materializar 2 objectivos essenciais para as suas estratégias:
- Criam dificuldades à China para que ela consiga impor-se como super-potência, dados os custos energéticos que vão ser repercutidos na sua indústria transformadora
- Quando o barril de petróleo estava cotado a 25 dólares/barril, os exploradores de petróleo nos EUA tinham uma margem de lucro de 60%. Agora com os preços inflacionados como estão ficam com a módica margem de lucro de 260%.

Será que eu tenho visões?

Depois digam que “ Ele “ é burro. UMA OVA!

NOTICIA DE ÚLTIMA HORA

A Administração Bush conseguiu que, ontem, o Senado americano aprovasse a exploração petrolífera no Alasca (paraíso ecológico com uma área equivalente a 600.000 campos de futebol vai desaparecer em breve, desde que o Congresso americano também vote favoravelmente a posição aprovada pelo Senado).
É FARTAR, VILANAGEM!

quarta-feira, março 16, 2005

CASA DA MÚSICA - obra integrada nos projectos do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura e que vai abrir ao público, finalmente em 15 de Abril 2005. Autor do projecto - Arquitecto holandês REM KOOLHAAS.

TUNEL CEUTA/CARREGAL (PORTO)

O trânsito no centro da cidade do Porto é caótico, durante a maior parte do dia.
As autoridades locais procuraram, há muitos anos, encontrar uma solução que permitisse retirar, pelo menos, 60% do tráfego rodoviário que, neste momento, circula à superfície entre a Praça Filipa de Lencastre, Clérigos, Praça Carlos Alberto, Carmo, Cordoaria e Hospital de Santo António.
A solução que foi adoptada consistiu em projectar um túnel entre a Rua de Ceuta e o Carregal.
O Hospital de Santo António, instituição centenária que é um pilar essencial para os cuidados de saúde da Área Metropolitana do Porto, fica situado na zona do Carregal.
A Administração do Hospital ao tomar conhecimento da saída do túnel nas imediações da instituição reclamou que essa solução punha em perigo a funcionalidade e a operacionalidade dos serviços hospitalares, sobretudo no tocante às urgências.
As obras pararam e depois de muitos meses de negociações entenderam as autoridades locais prolongar o túnel mais 200 metros, até à Rua D.Manuel II, nas proximidades do Museu Nacional Soares dos Reis.
Quando essa solução foi assumida, a Administração do Museu Soares dos Reis reclamou que tal não podia acontecer, pois a infra-estrutura ia introduzir stress, vibrações e dificultava a descarga de peças para o Museu.
Acontece que, neste momento, o espaço em frente ao Museu para além de estar pejado de automóveis estacionados junto ao passeio fronteiriço e muitas vezes até com estacionamentos em 2ª fila, tem uma paragem de autocarros com tubos de escape a largar fumos (este problema só ficará resolvido com autocarros movidos a hidrogénio)
O projecto da saída do túnel a 25 metros do Museu retira o estacionamento de automóveis à sua frente e substitui o passeio fronteiriço de 1,5 metros por um passeio com 5 metros (pedonalização da zona).
Apesar disso o IPPAR corroborou a opinião desfavorável da Administração do Museu Nacional e pretende que a saída do túnel seja prolongada por mais 100 metros (Reitoria da Universidade do Porto) ou mais longe ainda junto ao Pavilhão Rosa Mota.
Isso tem custos elevados e vai conduzir a saída do túnel a uma parte da Rua D.Manuel II mais apertada, o que vai complica, em muito, a fluidez do tráfego automóvel.
Vamos ver como termina esta telenovela.
Na cidade do Porto tudo é difícil de se materializar. Quando há um projecto que vem revolucionar a gestão urbanística da urbe, há que atirar problemas para cima para complicar as coisas.
Apresento alguns exemplos: construção da Casa da Música (integrada nos projectos do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, vai abrir, finalmente, no dia 15 de Abril de 2005), recuperação da Cordoaria, construção do Metro, expropriação dos terrenos e construção do Estádio do Dragão, recuperação do Palácio do Freixo, valorização do Vale de Campanha, construção dos molhes da Foz do Douro, recuperação da Praça Carlos Alberto, Parque da cidade e agora o Metro de superfície na Avenida da Boavista.
Mas o Porto, apesar de todos estes contratempos, tem alguns motivos para se orgulhar – não deixou que o Coliseu fosse parar a uma seita religiosa, Livraria Lello (a mais bonita livraria do Mundo), o Magestic (ambiente Belle Époque), Museu de Arte Contemporânea (Serralves), Palácio da Bolsa,o Mercado do Bolhão, as tripas à moda do Porto e a francesinha.

CARAGO, vamos lá ver se resolvem o problema do túnel.

terça-feira, março 15, 2005

Entupimento dos tribunais

Todos nós sabemos como a justiça, em Portugal, é morosa, dado que os processos arrastam-se nos Tribunais por demasiado tempo. Muitos deles prescrevem devido às múltiplas diligências processuais feitas pelos advogados, mas outras é de facto haver Juízes com centenas de processos para apreciar e julgar ao mesmo tempo.
Uma Justiça feita fora de tempo útil, deixa de ser verdadeiramente uma Justiça.

Os Tribunais, na grande generalidade, estão entupidos com processos.
Inicialmente o entupimento ficou a dever-se ao problema com as acções de dívidas. As seguradoras, as empresas de leasing, os bancos e os operadores de telemóveis encheram os tribunais de processos por dívidas.
Todas estas empresas que são brutalmente agressivas, em termos de marketing, deviam assumir o risco de concederem créditos a quem não pode.
Mas tal não acontece.
O Magistrado Noronha do Nascimento, numa entrevista recente, deu um exemplo deste caos. Quando foi criada a Comarca da Maia, definiu-se o número de Juízes e de funcionários judiciais. Meio ano depois da criação da Comarca, só a OPTIMUS tinha apresentado 15.000 acções judiciais para execução por dívidas de clientes.
Enquanto os Tribunais forem bombardeados desta forma, não é possível agilizar o sistema judicial.


domingo, março 13, 2005

Derrota vergonhosa

O Futebol Clube do Porto, na passada 6ªfeira, sofreu uma pesada derrota no seu estádio frente ao Nacional da Madeira.
Resultado final – F.C.Porto 0Nacional da Madeira 4
Há 30 anos (1975) que o Futebol Clube do Porto não sofria uma derrota tão pesada no seu estádio.
No actual campeonato o F.C.Porto já não ganha no seu estádio desde 17 de Dezembro.
A equipa não tem ambição, joga desgarrada, faz passes mal calculados, tem uma defesa que perece um crivo e os jogadores quando têm a bola não sabem o que fazer com ela.
Os jogadores, pela postura revelada nesta época, não são dignos de envergar a prestigiada camisola azul e branca.
Jogadores como Diego, Postiga, Leo Lima e Pitbull não justificam os investimentos feitos.
Soluções para essa crise gravíssima:
- O F.C. Porto deve passar a jogar num estádio emprestado
- Os jogadores, em virtude das fracas exibições, devem prescindir dos elevados salários que auferem e entregá-los a instituições de solidariedade social.

sábado, março 12, 2005

11 De Março

Fez ontem um ano que milhares de pessoas das mais diversas nacionalidades, de manhã cedo, tomaram 4 comboios com destino a Madrid
Muitas dessas pessoas saíram de casa, uns para ganhar o seu sustento e da família, outros para estudar com vista à valorização pessoal e outros, talvez, para tratar de assuntos das suas vidas pessoais.
Muitos despediram-se com um beijo, com um abraço dos amigos e dos familiares e talvez tenham dito “ Até logo “.
Muitos deles que viajavam nos 4 comboios pensavam num futuro mais risonho, nos sonhos que queriam concretizar, nas amizades que queriam consolidar. Muitos talvez discutissem o momento político que a Espanha atravessava (era um período de campanha eleitoral).
De repente, as viagens foram interrompidas por 10 engenhos explosivos, colocados nos 4 comboios.
Desse acto de selvajaria, de cobardia e de barbárie ficaram feridas 1900 pessoas e 192 morreram (uma delas com 7 anos-Patricia, que não soube porque morreu).
Para essas 192 pessoas, os sonhos volatilizaram-se, os planos de vida ruíram e os projectos pessoais caíram estrondosamente.
Temos que reconhecer que a vida é muito fugaz, é uma luz que se apaga de repente.
O passado não existe e o futuro também não.
Não vale a pena chatearmo-nos muito, pois apenas existe o AGORA

sexta-feira, março 11, 2005


Barcos moliceiros na Torreira ( Ria de Aveiro)

Ensino em Portugal

O Presidente Jorge Sampaio sublinhou, há 2 dias, numa visita que fez a uma Escola, a importância da escolaridade para todos, porque o País não se faz apenas com elites.
Sobre a problemática do sistema educativo português já foram feitos dezenas de estudos, diagnósticos, projectos, reformas curriculares e planos de acção.
Os resultados de todo esse trabalho intelectual desenvolvido por centenas de especialistas saltam à vista – temos um sistema de ensino mau, desajustado da realidade do mundo real e ……. CARO.
Todos Ministros da Educação quando chegam ao Governo estão cheios de boas intenções e deitam “ para as malvas “ todos os trabalhos feitos anteriormente e apregoam de peito feito que agora é que o ensino vai entrar nos eixos, pois vai implementar-se a “ sua reforma do ensino “.
O nível relativo de despesa pública dispendido em educação em Portugal não é significativamente diferente do registado em Inglaterra, Áustria, Republica Checa ou na Holanda. No entanto, no nosso País, os resultados práticos ficam muito aquém dos que se alcançam nesses Países.
Pior que um pequeno investimento é um mau investimento e essa tem sido a chaga do nosso sistema de ensino nacional.
Pensamos que, para resolver um problema, basta atirar-se dinheiro para cima. E nada é menos verdadeiro do que isso.
Temos um novo Governo e era bom que, pelo menos, os dois principais partidos PS e PSD se sentassem à mesa, discutissem os problemas da educação e formação profissional e estabelecessem um “ PACTO DE REGIME “ para os 10 anos próximos.
Vivemos num Mundo cada vez mais especializado e com tecnologias cada vez mais sofisticadas. Hoje exige-se qualidade e respostas planeadas e com visão do futuro.
Num Mundo competitivo como o de hoje, não podemos tentar conduzir um Ferrari com a mentalidade dum carroceiro do início do século XX.
Se não acertarmos numa politica correcta e aceite por todos os intervenientes no processo, não teremos futuro como País
Já que não temos grandes recursos naturais, o futuro de Portugal depende da qualidade do seu “ CAPITAL HUMANO “.

quarta-feira, março 09, 2005

Mortalidade infantil

Quando era miúdo (já lá vão quase 60 anos), era raro o mês em que não morresse uma criança vítima de doença na área do Município onde vivia. Todos os cemitérios tinham um talhão reservado à inumação de crianças.
Em Portugal, a evolução da mortalidade infantil (morte até aos 12 meses) registou o seguinte decréscimo: de 77 crianças mortas/1000nascidas em 1960, para 5 crianças mortas/1000 nascidas em 2003.

Felizmente, neste momento, Portugal tem uma das taxas de mortalidade infantil das mais baixas do Mundo.
Segundo a O.M.Saúde, Portugal foi o País que teve a descida mais rápida da taxa de mortalidade infantil, colocando-se a 3 ou 4 lugares do topo da tabela. Estamos a aproximarmo-nos da taxa da Suécia (1º lugar), que é de 3,9.
Estes resultados positivos foram obtidos devido ao trabalho e dedicação de muitos obstetras, parteiras e pediatras.
No tempo da Ministra Leonor Beleza foi feito um levantamento exaustivo de todos os locais onde se faziam partos. Mais de 200 locais foram encerrados (o que na altura levantou uma série de protestos por parte da população e das autoridades municipais) e foram criadas novas estruturas devidamente apoiadas com pessoal habilitado, com competência clínica nas diversas valências, para acudir a todas as eventuais complicações que surgem durante os partos.
O programa de vacinação levado a efeito em todo o País e toda a política neo-natal também contribuiu para este positivo decréscimo da taxa de mortalidade infantil em Portugal.

terça-feira, março 08, 2005

Treinador Rinus Michels

Vítima de complicações, após uma intervenção cirúrgica, morreu na última semana o mítico treinador holandês Rinus Michels, com 77 anos de idade.
Foi este treinador que inventou o “ Futebol Total”.
Ele impôs esse tipo de futebol nas equipas que treinou (Ajax e Barcelona), bem como na selecção holandesa, que ficou conhecida, nessa época, como a “ laranja mecânica “.
Para Michels não havia defesas e avançados. Havia sim uma equipa onde todos, à excepção do guarda-redes, tinham que atacar e defender, conforme o desenrolar do jogo.
O futebol, desde que bem jogado, é um espectáculo que encanta.
Infelizmente na nossa Super liga os três eternos candidatos ao título, com raras excepções em alguns jogos, apresentam um tipo de futebol errático, sem alma e sem ambição.
Sou simpatizante do F.C.Porto, mas estou desiludido com o tipo de futebol praticado pela equipa. Ainda no último jogo com o Penafiel, os jogadores portistas metiam pena- passes mal feitos, cortes incompletos, falta de pontaria e individualismo intolerável.
Uma autêntica desilusão.
Depois admiram-se de haver cada vez menos adeptos a ver jogos. Há estádios construídos para o Euro 2004, dimensionados para lotações mínimas de 25.000 a 30.000 lugares que, em jogos da Super liga, não apresentam 2.000/3.000 adeptos.
Assim, nem no mundo do futebol, lá vamos!

segunda-feira, março 07, 2005

Seca em Portugal

Portugal está a atravessar um período de seca muito prolongado, estando a registar-se valores tão baixos de pluviosidade, como não se registavam há mais de 40 anos.
Em situações normais, Portugal tem uma distribuição desigual do recurso natural água. Em geral é abundante no Norte e mais escassa no Sul, é também excessiva no Inverno e insuficiente no verão, tem anos bons e ciclicamente anos maus e existem áreas de águas poluídas e zonas de água de boa qualidade.
Esta diversidade exige uma atenção e um cuidado muito grande por parte dos consumidores, bem como por parte das autoridades locais, regionais e nacionais.
A água é um recurso de tal modo vital para o desenvolvimento a para a qualidade de vida e também é de tal modo escasso, que não pode ser desperdiçado. Tem que ser bem gerido.
Estamos habituados a abrir a torneira e ver a água a jorrar e não nos passa pela cabeça que, um dia, nem uma gota possa pingar.
Cada Português gasta, em média, 100 litros de água/dia.
Não basta, no entanto, ter água. É preciso que ela seja de boa qualidade.
Acontece que os nossos recursos hídricos são atacados por factores contaminantes, sobretudo pelos nitratos das explorações agrícolas, bem como pelos subprodutos da actividade industrial (tinturarias, curtumes, cromagens, celuloses, química, suiniculturas, refinarias etc.).
Devido a todos estes agentes contaminantes a água tem que ser tratada, usando tecnologia cada vez mais sofisticada e dispendiosa, que vai reflectir-se, forçosamente, no preço final de distribuição.
Por outro lado há roturas na rede de distribuição, calculando-se que cerca de 20% da água captada não chega ao consumidor final.
colectivo.
Em Portugal, sobretudo no Inverno (não neste), a água dos nossos rios corre para o mar, muita dela sem que se tenha feito qualquer aproveitamento dela.
A Espanha, nesta última década, investiu 2,5 mil milhões de euros/ano na construção de uma rede de aproveitamentos hídricos, tornando-se no País europeu com mais reservas estratégicas de água/percapita. Ao atravessarmos a fronteira, verificamos extensas explorações horto-fruticolas, que marcam positivamente a paisagem e dão saúde à economia espanhola.
Temos que criar, em Portugal, reservas estratégicas de água que permitam acudir a situações de seca, como a que estamos a viver há 6 meses.
Se o não fizermos, estaremos a comprometer o nosso futuro

domingo, março 06, 2005


Quando estive em Belmonte tirei esta foto de amores perfeitos. Belmonte é uma terra onde vivem ainda muitos judeus.

Novo Governo

Ficamos agora a conhecer o nome dos novos Ministros que, a partir do próximo dia 12, vão dirigir os destinos do País.
É de louvar a redução que se registou no número de Ministros (menos 2 que no Governo anterior).
Era bom que em Portugal se seguisse o exemplo da Suécia em que está definido por lei que o Governo não pode ter mais de 12 Ministros.
De louvar também não se ter registado qualquer fuga de informação para a comunicação social sobre o modo como foi constituído o elenco governativo.
Tendo em conta a participação de certo modo atribulada do Dr. Alberto Costa no Ministério de Administração Interna no Governo do Eng.º António Guterres, vejo com alguma preocupação o funcionamento e a articulação do Ministério com os órgãos judiciais.
Agora é completar o elenco governativo com os Secretários de Estado, definir se o Governo vai ter uma actuação à esquerda ou ao centro, apresentar um bom programa e depois governar …………ABSOLUTAMENTE.
Embora eu não tenha votado no PS desejo que a futura equipa governativa consiga recuperar a economia do País, imprimir politicas que tornem competitivas as nossas empresas, qualificar os nossos trabalhadores e dar mais qualidade de vida aos portugueses.
J.Kennedy disse “ não perguntes o que a Nação pode fazer por ti, pergunta antes o que podes fazer tu pela Nação”.
Precisamos de vencer o laxismo e o facilitismo, praticando uma cultura de exigência nos nossos comportamentos colectivos.
Portugal merece …………… ABSOLUTAMENTE

sexta-feira, março 04, 2005

Divórcio no Irão

Os divórcios no Irão são extremamente raros, por questões religiosas e culturais. Só com motivos muito fortes é que são autorizados divórcios.
A Agência noticiosa Reuters noticiou, no entanto, um caso de divórcio no Irão que pelas razões aduzidas tem aspectos curiosos.
Uma iraniana de 36 anos de idade, chamada Mina, conseguiu o divórcio do marido pelo facto dele não tomar banho, nem lavar a cara ou qualquer outra parte do corpo há mais de 1 ano.
O inexplicável desta situação é que, durante 7 anos, o marido até era exagerado na higiene pessoal, pois tomava duche 3 vezes por dia e lavava as mãos quase uma centena de vezes.
De repente deu-lhe para ser porco.
Se a maioria dos iranianos tivesse igual procedimento a economia em água era muita, o que seria vantajoso para um País que tem poucos recursos hídricos

quinta-feira, março 03, 2005

Formação do novo Governo

Quando Cavaco Silva foi indigitado para constituir Governo, refugiou-se na Beira Alta para aí, sossegadamente e sem pressões, organizar o elenco governativo.
A comunicação social não teve a mínima hipótese de trazer para a praça pública quer os convites quer as recusas das personalidades envolvidas no processo.
Com José Sócrates está a acontecer exactamente o mesmo. A comunicação social não consegue descortinar o mais pequeno indício da formação do Governo.
A metodologia que está a ser adoptada é a mais adequada para que se consiga organizar uma equipa coesa, dinâmica e disposta a enfrentar os reais problemas do País.
Constituir um elenco governativo não é fácil e torna-se quase impossível se a comunicação social tiver rédeas largas para influir no processo.
É natural que haja recusas para ocupar certos lugares. Se essas recusas forem divulgadas, as personalidades que a seguir aceitarem, saem fragilizadas perante a opinião pública.
Não tendo votado no PS, desejo sinceramente que José Sócrates consiga formar um Governo com Ministros fortes em 4 grandes áreas – finanças públicas, economia, assuntos sociais (incluindo educação e formação) e Europa e questões internacionais

quarta-feira, março 02, 2005

Alterações climáticas

Todos nós sentimos no corpo e na nossa vida que o clima, em Portugal, tem sofrido alterações significativas nos últimos anos.
Poucos de nós nos lembramos de sentir temperaturas glaciares como as que estamos a verificar hoje em pleno mês de Março, de registar um período de seca tão prolongado no Outono e no Inverno (já não chove há 5 meses) e constatar que, no ano passado, no mês de Agosto (mês estival por excelência) choveu e esteve frio.
Quer isto significar que estamos a assistir a alterações climáticas em Portugal, bem como em todo o Mundo. São chuvas torrenciais fora de época nuns Países, tufões e ciclones noutros, secas prolongadas em África, vaga de gafanhotos que dizimam vastas plantações agrícolas no norte de África, são incêndios em pleno Inverno etc.etc.
Os maiores culpados desta grave situação somos todos nós, sobretudo os que vivemos nos Países mais desenvolvidos pois, pelo modelo civilizacional que criamos, estamos a contribuir para a saúde periclitante da Natureza.
O cérebro humano (aquele pedaço de gelatina acinzentada que está entre as orelhas) é um patife, pois tem sido da sua autoria muitas das causas do mal-estar da Mãe-Natureza.
Temos que pôr um travão nesta escalada de agressão à Natureza, quer por comportamentos individuais correctos, quer por acção dos Governos. Temos todos que poluir menos, racionalizar o uso da água, apostar nas energias renováveis, evitar a agricultura intensiva, explorar racionalmente a floresta, reduzir a emissão de gases para a atmosfera, evitar a erosão dos solos, promover a biodiversidade etc.
Se o não fizermos, dentro de anos, poderemos verificar que o deserto do Saara já chegou ao Alentejo.