quinta-feira, março 31, 2005

CONSENSO OU ROTURA?

Vivemos numa época fortemente concorrencial em termos de mercado, dada a globalização à escala mundial.
Há empresas, gestores, sindicatos e operários que, perante o mesmo problema, têm comportamentos diferentes. Uns entendem que o Mundo mudou muito nos últimos anos e que não é possível manter as mesmas atitudes estáticas de ontem e outros nem querem ouvir falar de novas posturas comportamentais. Uns entendem que só pelo entendimento mútuo e pelo diálogo é possível chegar a soluções equilibradas e outros negam a possibilidade de se obter consenso úteis para todos. Uns entendem que o capital e o trabalho têm que dar as mãos para vencer os desafios do Mundo competitivo de hoje e outros pensam que o capital e o trabalho têm que se guerrear mutuamente.
Dois exemplos tirados do mundo empresarial português:
- A Auto-Europa, sediada em Palmela, é responsável por 10% das exportações nacionais. Tem, neste momento, 2955 trabalhadores directos e garante o emprego a 5746 trabalhadores indirectos.
A Auto-Europa vai ficar, pelo menos, mais 20 anos em Portugal, pois foi escolhida para produzir o VolKswagen Cabrio, que começará a ser fabricado no final deste ano. Este modelo começará a ser comercializado na Europa no 1º trimestre de 2006 e posteriormente nos EUA.
Antes de ser firmado este contrato de produção, a continuação da Auto-Europa em Portugal esteve tremida e ficaram em causa os postos de trabalho.
Numa atitude que é de saudar, gestores e operários sentaram-se à mesa e chegaram ao seguinte acordo:
-quando há encomendas em quantidade e com prazos de entrega apertados, os trabalhadores recebem créditos pelas horas extras, criando-se um “ Banco de Horas “.
-quando há períodos de retracção no mercado, os trabalhadores ficam em casa, recebem o seu vencimento normal no fim de cada mês e descontam esse tempo do seu “ Banco de Horas “.
-os operários, para evitar despedimentos, concordaram com o congelamento salarial, até que a situação do mercado evolua satisfatoriamente

- A fábrica da General Motors, sita na Azambuja, viveu um problema idêntico, mas adoptou soluções diferentes:
-todas as fábricas da GM na Europa (Saragoça, Polónia, Alemanha de Leste e Portugal) estão em competição entre si para produzir o novo Opel Combo.
O País que oferecer melhores condições de laboração ganha a produção do modelo, a partir de 2008.
Num momento tão crucial os 1200 trabalhadores entraram em greve, reclamaram um aumento de 75 euros e recusaram um aumento de 2% proposto pela administração (que seria actualizado no final do ano de acordo com a inflação), bem como a extensão de 16 horas anuais na jornada de trabalho
Os trabalhadores da Opel não estão a discutir um aumento salarial, estão talvez a decidir sobre o seu futuro profissional a partir de 2008.

Dois problemas idênticos, com soluções diferentes.

Os que entendem os desafios do Mundo competitivo de hoje, venceram.
Os que pensam viver num “ parque jurássico” estão a caminhar a passos largos para a extinção, como aconteceu aos dinossauros.