segunda-feira, março 07, 2005

Seca em Portugal

Portugal está a atravessar um período de seca muito prolongado, estando a registar-se valores tão baixos de pluviosidade, como não se registavam há mais de 40 anos.
Em situações normais, Portugal tem uma distribuição desigual do recurso natural água. Em geral é abundante no Norte e mais escassa no Sul, é também excessiva no Inverno e insuficiente no verão, tem anos bons e ciclicamente anos maus e existem áreas de águas poluídas e zonas de água de boa qualidade.
Esta diversidade exige uma atenção e um cuidado muito grande por parte dos consumidores, bem como por parte das autoridades locais, regionais e nacionais.
A água é um recurso de tal modo vital para o desenvolvimento a para a qualidade de vida e também é de tal modo escasso, que não pode ser desperdiçado. Tem que ser bem gerido.
Estamos habituados a abrir a torneira e ver a água a jorrar e não nos passa pela cabeça que, um dia, nem uma gota possa pingar.
Cada Português gasta, em média, 100 litros de água/dia.
Não basta, no entanto, ter água. É preciso que ela seja de boa qualidade.
Acontece que os nossos recursos hídricos são atacados por factores contaminantes, sobretudo pelos nitratos das explorações agrícolas, bem como pelos subprodutos da actividade industrial (tinturarias, curtumes, cromagens, celuloses, química, suiniculturas, refinarias etc.).
Devido a todos estes agentes contaminantes a água tem que ser tratada, usando tecnologia cada vez mais sofisticada e dispendiosa, que vai reflectir-se, forçosamente, no preço final de distribuição.
Por outro lado há roturas na rede de distribuição, calculando-se que cerca de 20% da água captada não chega ao consumidor final.
colectivo.
Em Portugal, sobretudo no Inverno (não neste), a água dos nossos rios corre para o mar, muita dela sem que se tenha feito qualquer aproveitamento dela.
A Espanha, nesta última década, investiu 2,5 mil milhões de euros/ano na construção de uma rede de aproveitamentos hídricos, tornando-se no País europeu com mais reservas estratégicas de água/percapita. Ao atravessarmos a fronteira, verificamos extensas explorações horto-fruticolas, que marcam positivamente a paisagem e dão saúde à economia espanhola.
Temos que criar, em Portugal, reservas estratégicas de água que permitam acudir a situações de seca, como a que estamos a viver há 6 meses.
Se o não fizermos, estaremos a comprometer o nosso futuro