terça-feira, abril 26, 2005

ENERGIA EÓLICA

O Governo anterior abriu, em Fevereiro último, um concurso público para atribuição de 1100 MW de produção de electricidade, a partir da energia eólica. O prazo das candidaturas terminava em Maio.

Li, recentemente no Expresso, que o actual Governo anulou o referido concurso.

A não ser que haja razões de grande importância nacional, o acto revela-se lesivo para os interesses nacionais.

Portugal para cumprir com as metas definidas pelo Protocolo de Quioto (39% do consumo bruto de electricidade tem que ser proveniente de fontes renováveis), necessita de produzir, até 2010, cerca de 3.250 MW de electricidade com base na energia eólica.

Se não cumprir esse objectivo, Portugal terá que gastar cerca de 160 milhões de euros/ano na compra de direitos de emissão de dióxido de carbono (CO2), o que vai tirar competitividade às nossas empresas. Calcula-se que cada tonelada de carbono emitida para a atmosfera custe cerca de 10 euros.

Temos portanto que instalar, em Portugal, 500 MW/ano para cumprir essa meta.

Em Portugal um licenciamento para um parque eólico demora, neste momento, cerca de 5 anos a ser concretizado, dada a complicada maquina burocrática a vencer. Em Espanha, que tem neste momento 8.000 MW de energia eólica instalada (o maior parque europeu está instalado em Tarifa), demora cerca de 1 ano.

A produção eólica em Portugal, para além de permitir investir em “ energia limpa “, pode possibilitar o desenvolvimento dum nicho de mercado, incorporando tecnologia portuguesa em aerogeradores, em parcerias a estabelecer com empresas estrangeiras do sector, bem como com as Universidades e com o INETI.

Calcula-se que a instalação dos parques eólicos nacionais necessários para atingir as metas do Protocolo de Quioto equivalem, em termos de impacto económico, à construção de 5 pontes Vasco da Gama.

É urgente que o País conheça as razões que levaram o Governo a anular o concurso para as eólicas.