domingo, abril 17, 2005

PORTUGAL DESEQUILIBRADO

Portugal tem crescido duma forma desequilibrada, quer em termos de ordenamento do território, quer em termos de distribuição de riqueza.

Ao olharmos para o território nacional verificamos que3/4 da população nacional ocupa 1/3 do território, numa zona que se estende de Viana do Castelo a Setúbal e numa faixa com 20 Kms para o interior. É aí que se concentram grande parte das infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias.

A população concentrada nesta faixa litoral é oriunda, em grande parte, do interior do País. A desertificação de muitas regiões do País conduz à morte de centenas de lugares, que passam a “fantasmas “ espalhados na paisagem rural.

A concentração de pessoas nas grandes áreas metropolitanas cria zonas de marginalidade cada vez mais crescente, como constatamos, muitas vezes, na abertura dos noticiários televisivos.

Em termos de distribuição de riqueza, verifica-se também que Portugal está desequilibrado.

Senão vejamos:
- 17 Concelhos são responsáveis por metade do poder de compra nacional. Os restantes 291 Concelhos detêm os restantes 50%.
- Lisboa tem quase o triplo do poder de compra médio português
- dos 308 Concelhos,apenas 27 registam um índice de compra acima do valor da média nacional
- a Região de Lisboa e Vale do Tejo onde se encontra 1/3 da população viu crescer o seu PIB 46%entre 1995 e 2002. A Região do Norte com a mesma população teve, no mesmo período, um crescimento de 25,6% e a Região do Centro com 17,3% da população cresceu, no mesmo período 14,3%

Temos que perguntar a quem de direito:

É possível inverter o processo de desertificação do interior?

Acreditamos que a morte de metade do País é inevitável?

Será possível que as regiões mais ricas fiquem cada vez mais ricas e as mais pobres fiquem mais pobres?