terça-feira, maio 31, 2005

Pelourinho de Arouca




Classificado como imóvel de interesse público pelo Decº nº 23122 publicado no D.G. nº 231 de 11 de Outubro de 1933.

Os pelourinhos por um lado eram os símbolos do poder municipal e por outro serviram como locais de aplicação da justiça, na Idade Média, pois aí se exibiam acorrentados ou se açoitavam os criminosos.

O Pelourinho de Arouca foi desmontado em finais do Sec. XIX e andou longos anos esquecido pelos claustros do Convento.Foi finalmente restaurado e há 15 anos foi instalado em local próximo do primitivo. Tive alguma intervenção pessoal nessa reimplantação.

O Pelourinho de Arouca é de bola de tipo manuelino, sendo a capitel ladeado de 2 escudos reais e culminado por uma singela esfera armilar. Tem um fuste granítico cilíndrico, disposto numa base circular, que assenta num soco hexagonal de 3 degraus moldurados.

Trata-se de um monumento da primeira metade do sec. XVI

segunda-feira, maio 30, 2005

UTILIZAÇÂO DE SCUTS

Hoje tive que me deslocar a Vila Nova de Gaia.

Antigamente seguia até Santa Maria da Feira e tomava a A1 em direcção ao Porto – distância 30 Kms. Pagava em portagens, em ida e volta 2,30 euros.

Agora, sigo para o mesmo destino, por 2 auto-estradas SCUTS (A29 e A44), praticamente paralelas à A1 e não pago qualquer portagem.

Embora esteja a ser beneficiado por essa benesse, interrogo-me sobre a justiça desta situação.

O nosso Primeiro-ministro tem afirmado sucessivamente e com determinação que não vão ser cobradas portagens nas SCUTS.

Obrigado Eng.º Sócrates.

domingo, maio 29, 2005

FUTEBOLÊS

Graças a Deus que terminou, hoje, a época futebolística para as principais equipas de futebol nacional.

Não houve uma única equipa que se tivesse destacado da mediocridade geral. Ganharam aquelas equipas que, em certos momentos, praticaram o futebol menos mau. Isto é um mau sintoma.

Este ano futebolístico 2004/2005 foi tão mau para a generalidade dos clubes, Deve ser feita uma reflexão cuidada de tudo o que se passou.

O futebol praticado pelas equipas portuguesas, na grande generalidade, não tem lugar na alta-roda do futebol mundial.

As nossas equipas são fracas psicologicamente, não sabem arregaçar as mangas e ranger os dentes para ultrapassas as adversidades, não praticam um futebol atacante com êxito, têm defesas muito permeáveis e embrulham muito o futebol a meio campo.

Os dirigentes também não souberam estar ao melhor nível: - contratações mal feitas de jogadores, esbanjamento de elevadas quantias de dinheiro com venda de jogadores, criação de clima de indisciplina nas equipas, agravamento da situação financeira dos clubes, falta de liderança, quezílias interpessoais e utilização de declarações pouca propícias à pacificação do futebol.

As arbitragens também contribuíram para os maus espectáculos. Os erros de apreciação de muitas jogadas, influenciaram os resultados e incendiaram os ânimos. Houve, também nomeações esquisitas.

Infelizmente, esta situação da arbitagem não é exclusiva do nosso País. Em muitos campeonatos mundiais têm-se registado erros grosseiros.

Há quem fale na necessidade de profissionalizar os árbitros. Até já se fala em salários de 100.000 euros anuais.

Será que a profissionalização dos árbitros conduzirá à verdade desportiva?

sexta-feira, maio 27, 2005

Claustro do Mosteiro de Arouca


Claustro do Mosteiro de Arouca, começado a aconstruir em 1781, tem 2 andares e cinco arcos por cada galeria.O projecto seguiu a indicação aconselhada nos tratados de arquitectura classicista - a sóbria estabilidade da ordem dórica no piso térreo e a elegante leveza jónica no andar superior. A água do chafariz era proveniente de captações próprias da cerca do Convento.

SCUTS

Foram construídas auto-estradas SCUTS (sem custo para o utilizador), para fomentar o desenvolvimento regional.

Os construtores dessas SCUTS vão receber, até 2031, cerca de 15 mil milhões de euros (mais de 10% do actual PIB nacional anual).

Os concessionários dessas vias vão receber em 2005 e 2006, cerca de 500 milhões de euros por ano. Nos anos de 2007 e 2008 o Estado vai-lhes pagar 820 milhões de euros/ano e entre 2009 e 2023 vão receber 700 milhões de euros/ano. Nos últimos 8 anos da concessão, as verbas a receber decrescem, significativamente.

Portanto, dos impostos que pagamos, uma parte vai servir para pagar os custos das SCUTS. Centenas de milhares de portugueses que residem nos Açores, na Madeira, em Barca –Dalva, em Pampilhosa da Serra, , em Mértola etc. e que não utilizam essas SCUTS, vão pagar, quer queiram quer não, através dos impostos.

Agora com a subida do ISP (imposto sobre produtos petrolíferos), vai acontecer o mesmo. Quem não utiliza as SCUTS vai suportar um encargo suplementar, para ajudar a reduzir os custos dessas concessões.

Trata-se, portanto, para centenas de milhares de portugueses, duma dupla injustiça.

Por outro lado os transportadores rodoviários estrangeiros vão beneficiar dessas vias, sem pagarem os referidos custos.

Sortes têm os Portugueses que vivem na raia da fronteira portuguesa/espanhola. Esses podem ir abastecer-se de gasolina mais barata, em Espanha, sem taxa suplementar e com o IVA a 16%.

Há dias numa das emissões da TV foi divulgada uma notícia em que produtos portugueses comprados em Espanha tinham preços mais acessíveis – café menos 1,5 euros, azeite menos 1,8 euros etc. Uma botija de gás doméstico espanhol custa menos 7 euros.

A culpa disto tudo foi o D.Afonso Henriques. Se ele não tivesse batido na Mãe (segundo dizem as más línguas), ela não teria ido para o exílio em 1128, conjuntamente com o Conde Fernando Peres de Trava. Não teria havido a independência e pertenceríamos agora a uma das 10 Nações mais desenvolvidas do Mundo.

terça-feira, maio 24, 2005

AGRESSÕES DIVERTIDAS

A Inglaterra interroga-se apreensiva com a última moda da juventude inglesa – happy slapping (agressão divertida).

Os jovens escolhem uma vítima ao acaso, agridem-na das mais selváticas formas, filmam as agressões, normalmente com recurso ao telemóvel e depois difundem as imagens pela Internet.

Registaram-se casos de jovens estudantes terem escolhido colegas de turma para vitimas, espalhando, posteriormente, as imagens da agressão pelos restantes elementos da turma, de forma a humilhá-los.

A polícia inglesa já registou mais de 200 casos de “ happy slapping “.

Há dias um homem de 41 anos de idade dormia numa passagem de autocarro, perto de Manchester. Foi atacado por 2 jovens que o regaram com gasolina, tendo-lhe, em seguida, chegado fogo.

O pobre homem quase morreu.

As imagens difundidas via Internet, mostravam os jovens entusiasmadíssimos a proferirem as seguintes frases:
“ É a coisa mais engraçada do que eu já vi. “
“ Vamos matá-lo. Ele arde “ .

Segundo psicólogos ingleses, muitos destes jovens fazem estas agressões para ganharem notoriedade junto dos colegas, pois parece que há quase um “ campeonato “ para ver quem faz as mais violentas e mais terríficas agressões.

Que Mundo estamos a permitir que se construa?

Onde está a salvaguarda dos valores fundamentais do ser humano – dignidade, respeito, solidariedade, amor, amizade, tolerância e fraternidade?

quarta-feira, maio 18, 2005

Solidariedade Benetton



Ontem os noticiários televisivos deram a conhecer que a Benetton tinha decidido dizer "ADEUS A PORTUGAL ".

Essa decisão vai afectar directamente mais de 500 trabalhadores têxteis, sobretudo da região de Braga (nomeadamente da zona de Basto).

A Benetton sempre foi conhecida pela solidariedade com causas sociais. Agora caiu essa máscara de boas intenções. A solidariedade para com os trabalhadores portugueses, que durante décadas alimentaram a marca, foi deitada às malvas. Ganhou a solidariedade com o dinheiro.

É chegada a hora de Portugal dizer "ADEUS À BENETTON" , não comprando produtos desta marca. Sejamos ao menos nós, solidários para com os trabalhadores portugueses.

Com a entrada em vigor das novas leis da OMC, as indústrias têxteis e do vestuário tem apenas 3 anos para se modernizarem. A partir de 2008, já não há mais cláusulas de salvaguarda proteccionistas.

Três anos é um tempo muito curto para:
- modernizar o tecido produtivo
- organizar a produção em termos mais eficientes
- apostar em têxteis de alta tecnologia
- acrescentar valor aos produtos têxteis
- criar design que projecte uma imagem de prestigio nos circuitos da moda e nos mercados internacionais
- apostar em nichos de mercado de produtos sofisticados

Sempre que Portugal foi encostado à parede, soube dar a volta por cima.

Esta é, mais uma vez, uma época em que se trava o nosso futuro.

Defina-se uma estratégia e execute-se o que tem que ser feito, para termos futuro.

terça-feira, maio 17, 2005

Farsa de Raul Brandão


No sábado passado assisti à peça teatral " O Doido e a Morte ", de Raul Brandão.

A peça foi levada à cena por um grupo de teatro amador da freguesia de Rossas. Contou com uma interpretação superior de Manuel Brandão no papel de "Doido".

A peça apresenta dois contrastes comportamentais entre o Governador Civil e o Doido.

O Governador Civil está apegado à vida e não querer morrer. O Doido quer matar-se em conjunto com o Governador, com os moradores do prédio e com os residentes no bairro.

A morte será provocada pela explosão duma caixa com peróxido de azoto.

Os diálogos são soberbos.

O Governador civil, posto perante a iminência da morte por explosão, diz que não está preparado para morrer, que morrer é uma coisa séria, que é um acto que exige uma certa preparação, testamento, despedida dos amigos etc. No auge do desespero o Governador previne o Doido que é um crime punido pelo artigo 343 do Código Penal, atentar contra a vida duma autoridade constituída. e no exercício das suas funções.

Por fim o Governador pede ao Doido que lhe permita ter uma morte onde o seu cadáver possa ser sepultado com decência e com direito a uma lápide onde fique escrito " Aqui jaz um Homem de génio, que não teve tempo de se revelar ".

O Doido, portador duma caixa com peróxido de azoto, explosivo capaz de arrasar o prédio, o bairro e a cidade, diz que é amigo da Humanidade, pois com um só gesto seu faz desaparecer a desgraça à face da terra, acabam-se os crimes, as misérias, enfim tudo o que há de mau no Mundo.

O Doido por fim faz uma dissertação sobre a loucura. Diz ele que um Homem que não tem um pouco de loucura não presta para nada e que passar por doido tem muitas vantagens

O Doido diz que quem tem juízo vive constrangido e está sujeito a mil complicações. Afirma que quem é doido pode seguir à vontade o seu sonho, sem que ninguém se meta com ele. Conclui que todos os Homens que fizeram alguma coisa no Mundo eram doidos.

Quando o Doido apontava o dedo para fazer explodir a caixa de peróxido de azoto, entra uma equipa do manicómio e leva-o de regresso ao hospício.

O Governador Civil, após o que passou exclama " AI O GRANDE FILHO DA PUTA "


sexta-feira, maio 13, 2005

Vista parcial de Arouca com o Mosteiro em primeiro plano.No interior do Mosteiro está instalado um excelente Museu com peças valiosas de pintura, escultura, talha dourada, mobiliário tapeçaria e ourivesaria

SILENCIAR ORADORES

Ao longo da minha vida participei em centenas de reuniões de órgãos sociais das mais diversas instituições e associações, tendo presidido a muitas dezenas delas.

Quando presidia a essas reuniões, às vezes, felizmente poucas, tinha que ouvir, contrariado, intervenções de pessoas que apenas “queriam ouvir-se “ e não ser ouvidas, pois nada de novo tinham para transmitir.

Há dias ouvi uma história verídica e cheia de graça, que se dela tivesse conhecimento anteriormente, podia ter-me resolvido um ou outro problema.

Eis a história.

O Presidente da Assembleia-geral dum grande clube de futebol dirigia os trabalhos duma reunião de associados, quando “um treinador de bancada” pediu para usar da palavra, puxou dum “ testamento “ e falou, falou, falou, falou………………………….

A mensagem era repetitiva e não parecia ter fim à vista.

O referido Presidente da Assembleia-Geral levantou-se da mesa, dirigiu-se ao associado no uso da palavra e pediu-lhe, ao ouvido, para ele concluir a intervenção. Este renitente disse que não, também em surdina.

O decidido Presidente da Assembleia-Geral regressou à mesa e aos microfones disse o seguinte: Meus Senhores, manifestando compreensão pelo facto de estar a incomodar a Assembleia, o associado no uso da palavra, acaba de me pedir para lha retirar, o que vou fazer com muito gosto.

Os milhares de associados presentes aplaudiram com uma grande salva de palmas.

O associado protestou que queria continuar no uso da palavra.

O Presidente da Assembleia geral, agora em voz alta dirigiu-se ao associado e disse-lhe . Ó Homem, você outra vez? Algum dia você teve uma ovação destas? Quer mais palmas? Deus nos valha.

Os associados tributaram ao associado mais uma grande salva de palmas.

Se eu passar por uma situação semelhante, vou lembrar-me desta história e seguirei uma estratégia idêntica.

terça-feira, maio 10, 2005

O Mosteiro de Arouca actual data do séc.XVIII, tendo sido projectado pelo arquitecto maltês Carlos Gimac. O primitivo Mosteiro de Arouca foi fundado em 951 por dois fidalgos de Moldes. O Mosteiro primitivo era dúlplice, tendo passado a ser s´´o de freiras em 26 de Dezembro de 1153

O VOLFRÂMIO EM AROUCA

A quando da II Guerra Mundial (1939-45), Arouca transformou-se num “ El Dorado” português.

Em virtude de haver grandes quantidades de volfrâmio, sobretudo em Rio de Frades e em Regoufe, milhares de pessoas de todo o País deslocaram-se para Arouca, para aqui tentarem a sua sorte.

O volfrâmio era essencial para o fabrico de peças de artilharia e era altamente disputado quer pelos aliados, quer pelos alemães.

Salazar sempre fez um jogo duplo na exploração e na comercialização do volfrâmio. Portugal não esteve envolvido na II Guerra Mundial devido ao volfrâmio e à manhosa “neutralidade activa”, praticada por Salazar.

Em Arouca, Salazar deu concessões mineiras aos ingleses em Regoufe e a 5 Kms de distância, em Rio de Frades, ficavam as explorações dos alemães, chefiados pelo germânico Kurt Dithmer (homem corpulento com 2 metros de altura) e que era também o representante da empresa siderúrgica alemã Krupp.

Em Arouca, para os dois beligerantes em conflito, apenas interessava extrair o maior nº de toneladas de volfrâmio (trióxido de tungsténio WO3). Não consta que tenha havido conflitos entre eles, nos encontros ocasionais nas ruas da Vila.

Quer os ingleses, quer os alemães construíram estradas para permitir o escoamento do minério extraído. Construíram também bairros sociais para alojar os mineiros. Inexplicavelmente, as condições de habitabilidade dadas pelos alemães eram muito superiores às concedidas pelos ingleses.

O preço do volfrâmio dependia do curso da guerra. A partir de 1943, sobretudo depois do dia D (desembarque na Normandia), as coisas começaram a pender para o lado dos aliados e os preços do volfrâmio começaram a descer. No período de maior procura chegou a vender-se minério a 1.500$00/kilo, tendo descido para 300$00.

No entanto, até esse ano, ganharam-se verdadeiras fortunas, quando se tinha a sorte de encontrar um bom filão.

Como era dinheiro ganho dum dia para o outro, também desaparecia rapidamente.

Cometeram-se autênticas loucuras acender cigarros com notas, analfabetos compravam canetas Parker para trazer no bolso do casaco com um lencinho, usava-se um relógio em cada pulso, ia-se tomar café ao Porto, de táxi, porque o café em Arouca estava cheio e demorava muito tempo a servir.

Muitos vendedores de minérios realizavam fortunas de um dia para o outro, quando encontravam compradores menos experientes no reconhecimento do minério. O volfrâmio para exportação devia ter, no mínimo, 65% de trióxido de tungsténioWO3. Os vigaristas faziam a chamada “fritangada”, que consistia em fritar pirite (que era abundante) numa frigideira com azeite e petróleo. Conseguia-se, assim, a cor igual à do volfrâmio.

Nesse período da guerra fez-se também muita contra-informação, sobretudo em Lisboa, no tocante a carregamento de volfrâmio em barcos. Os navios mercantes eram carregados de pedra, para um determinado destino, avisavam-se os inimigos, os barcos eram afundados e os exportadores ficavam a lucrar verbas astronómicas.

Em Arouca, ficou a memória dum tempo em que os mineiros não quiseram perder a oportunidade de serem ricos por um dia, de dormir em hotéis de luxo com companhia, de cometer extravagâncias e maluqueiras de toda a espécie, de gastarem fortunas em jantaradas no Porto, em comprarem fatos bem feitos na Casa Inglesa, em terem aventuras com mulheres e terem gasto somas apreciáveis no jogo.

Neste momento, as concessões mineiras estão abandonadas, as construções estão praticamente todas destruídas e as máquinas das lavarias retorcidas.

O “ El Dorado” terminou há 60 anos , em Arouca..

segunda-feira, maio 09, 2005

II GUERRA MUNDIAL

Fez este fim-de-semana 60 anos que terminou a II Guerra Mundial. Neste desastre civilizacional morreram 25 milhões de soldados, 25 milhões de civis e 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazis.

A rendição incondicional das tropas alemães de Adolf Hitler foi assinada pelo Marechal Keitel, no dia 8 de Maio de 1945.

Tinha eu 7 anos na altura.

Da II Guerra Mundial recordo que havia senhas de racionamento para os bens de primeira necessidade (açúcar, arroz, massa etc.). Cada família, em função das pessoas que constituíam o agregado, recebia, mensalmente, senhas com que podia fazer compras nas lojas tradicionais. Algumas famílias negociavam essas senhas.

Lembro-me que o meu Pai, como a quantidade de açúcar que nos calhava, era pequena, começou a criar abelhas para podermos ter mel para consumo próprio. Recordo-me que o meu Pai produzia mel suficiente para as necessidades de toda a família.

Muitas vezes comi colheres inteiras de mel. E que bem me sabia!

Os adultos usavam também o mel para fazerem as chamadas “ sopas de cavalo cansado “. Numa tigela punha-se pão, vinho tinto e mel. Com essa “receita milagrosa”ganhava-se forças para os trabalhos árduos dos campos.

Nessa altura da guerra, os lavradores só podiam ficar com uma parte do milho que produziam, já que o excedente era armazenado em silos do Estado, para suprir necessidades de consumo. O meu Pai cavou um falso na parede da adega, onde guardava algum milho para que não nos faltasse pão. A tapar esse falso colocava as pipas de vinho.

Lembro-me também das camionetas que eram movidas a gás pobre. As camionetas tinham uns depósitos laterais, onde era queimado carvão, que fazia movimentar as camionetas.

Recordo-me também da loucura que se vivia, aqui em Arouca, com a exploração do volfrâmio feito pelos ingleses e pelos alemães.

Sobre este assunto falarei amanhã.

sexta-feira, maio 06, 2005

Restaurante " VELA ARAINHO " em Ovar.Num local privilegiado da Ria de Aveiro, é pena estar desactivado.

BARBÁRIE HUMANA

Ninguém pode ficar indiferente à morte duma criança (Vanesa) no Bairro do Aleixo, na cidade do Porto.

A Vanesa foi abandonada à nascença pela mãe e rejeitada pelo pai durante 5 anos, tendo sido acolhida por uma família de Matosinhos e sobretudo acarinhada por uma mãe adoptiva a quem a Vanesa chamava “ Mãe Rosa “.

Por decisão do Tribunal de Menores do Porto, em Dezembro de 2004, a Vanesa foi entregue ao pai, que alegadamente era toxicodependente.

A Vanesa foi, nestes seus últimos 4 meses de vida, vítima de maus-tratos de toda a ordem. No dia 26 de Abril a Vanesa foi mergulhada numa banheira com água quente, para castigá-la pelo facto de dizer que gostava muito da “Mãe Rosa “, em vez do pai e da avó. Segundo consta seguiram-se bofetadas, pontapés e murros, que conduziram à morte da Vanesa.

O pai e a avó têm um conceito trágico para arrancar juras de amor – à bofetada.

Infelizmente, o caso da Vanesa não é um facto isolado no nosso País, no tocante a maus-tratos a crianças. Recordamos, a título de exemplo, a Catarina de Ermesinde em 2003 e o Edgar de Coimbra em 1998.

Os Tribunais de Menores, bem como as Comissões de Protecção de Menores para evitar decisões judiciais de consequências dramáticas como esta, tem que:
- melhorar o diagnóstico das situações
- apostar no acompanhamento dos casos menos claros
- avaliar correctamente o contexto familiar onde a criança vai viver

Segundo entendidos em processos judiciais é previsível que os causadores desta morte não sejam acusados de homicídio qualificado, pois será difícil provar a intenção de matar. É natural que venham a ser acusados de ofensas corporais agravadas e de ocultação de cadáver (16 + 2 anos de cadeia).

As crianças são o elo mais fraco da nossa sociedade e mais uma vez um desses elos foi brutal e criminosamente quebrado.

quinta-feira, maio 05, 2005

SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA

Muito se tem falado, nos últimos dias, na sinistralidade rodoviária, em Portugal.

Apesar de se ter registado, em 2004, um decréscimo de 17% no número de mortos nas estradas nacionais, comparativamente a 2003, continua a morrer, anualmente, um número anormal de pessoas.

Tendo em linha de conta as estatísticas oficiais, hoje ao fim do dia, 4 famílias portuguesas viram partir entes queridos, vítimas da “guerra civil” que se trava nas nossas estradas. Alguns dos mortos serão jovens em plena actividade, com sonhos e projectos pessoais que gostariam de concretizar e cujas vidas foram ceifadas em segundos.

Os acidentes rodoviários em Portugal, na quase totalidade, são consequência de falha humana condução perigosa, ultrapassagens incorrectas, desrespeito pela sinalização, velocidade excessiva para as condicionantes das vias, condução sob o efeito do álcool e uso indevido do telemóvel.

Se quisermos que, dentro de alguns anos, a sinistralidade nas nossas estradas recue para valores menores, temos que promover a educação rodoviária nas nossas escolas básicas. Acontece, porém, que se os filhos virem os pais a fazer sempre uma condução irresponsável e perigosa, eles mais tarde, naturalmente, imitam os pais e de nada valerá a educação rodoviária transmitida nas escolas.

Todos nós que andamos nas estradas cometemos, de vez em quando e em determinadas circunstâncias, alguns erros e infracções.

Acontece, porém, que há condutores que TODOS OS DIAS E EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, têm uma condução perigosa.

Não se pode conduzir da mesma maneira numa estrada em bom ou mau piso, de dia ou de noite, com chuva ou em piso seco, com nevoeiro e com veículos em bom estado ou com pneus e travões em mau estado.

Assistimos todos os dias a comportamentos criminosos baseados na necessidade de afirmação pessoal, bem como uma cultura institucionalizada de transgressão. Todos os dias vemos carros que nos ultrapassam ao dobro da velocidade permitida, são ultrapassagens loucas em locais de fraca visibilidade e são manobras violadoras dos mais elementares regras do bom senso.

Todos estes comportamentos custam caro ao País (calcula-se que representem 5% do PIB) – hospitalizações, tratamentos em centros de reabilitação, faltas ao trabalho, pensões de invalidez, tratamentos psicológicos, indemnizações etc.

Um carro mal conduzido, é uma arma mortal.

Parece que há condutores que pela maneira como conduzem querem aparecer, no dia seguinte, nas primeiras páginas dos jornais ou na abertura dos noticiários da TV.

quarta-feira, maio 04, 2005

INVASÃO CHINESA

Ontem na RTP1 foi discutido o problema da invasão de produtos chineses em todo o mundo, sobretudo no domínio têxtil.

A liberalização do comércio têxtil estava prevista há 10 anos, desde a conclusão do Uruguai Round.

Uns países preparam-se para esse embate por exemplo a Dinamarca. Este País, que até nem tem grande tradição têxtil, adoptou a seguinte estratégia:
- deslocalizou muitas empresas têxteis para a China
- manteve na Dinamarca as operações que geram valor acrescentado-gestão, design e marcas
-as empresas dinamarquesas fornecem know-how às empresas deslocalizadas, bem como a outras empresas chinesas
-o saldo final entre empregos destruídos e criados foi positivo

Em Portugal, apesar dos apoios recebidos, a fileira têxtil, na grande generalidade, não deu o salto qualitativo que lhe permitisse ser competitiva. Em Portugal só há um sector que, praticamente, não tem problemas que é o têxtil-lar. Este sector industrial investiu em novas tecnologias, instalou máquinas sofisticadas, apostou em nichos de mercado, conseguiu ser competitivo e está a exportar mais, com menos empresas instaladas e com menos trabalhadores.

O sector têxtil português debate-se, portanto, com um problema causado pelos baixos preços praticados pelos chineses. Em 2000 havia em Portugal 230.000 trabalhadores na indústria têxtil e prevê-se que, em 2010, em virtude da liberalização do comércio, haja apenas 130.000 trabalhadores têxteis.

Todo o Mundo vai, portanto, ter que conviver com o gigante chinês, “o perigo amarelo “, que se calcula que, em 2040, ultrapasse os EUA em poderio económico.

No entanto, não é só no sector têxtil que a China está a dar cartas no Mundo.

Neste momento, a China é o 3º maior exportador mundial, tendo ultrapassado o Japão.

A China é o maior exportador mundial de calçado (4,3 mil milhões de pares a 2,6 euros/par)

Nos brinquedos a China detém 75% do mercado e 30% no fabrico de televisores.

Os chineses estão a especializar-se no sector automóvel (produzem 4,4 milhões de carros/ano 7,2% da produção mundial).

A China começou a produzir vinho, bem como trufas de cogumelos iguais às produzidas na Provença francesa e que agora exportam a preços muito mais competitivos.

O mercado de rochas ornamentais era dominado, há 4 anos, pela Itália, Espanha e Portugal. Neste momento, o líder mundial é a China, que importa pedra natural de Portugal, transforma-a e vende-a novamente a Portugal com preços 1/3 mais baixos dos que aqui são praticados.

A China para garantir as suas produções industriais tem necessidade de muitas matérias-primas. A título de exemplo a China compra a preços imbatíveis toda a sucata que se produz no Mundo.

Com vista a garantir o acesso aos vastos recursos naturais do continente africano, a China está a fomentar laços comerciais, políticos e militares com 54 Países de Africa. Desde 2000 o comércio da China com África triplicou.

A China está a fazer infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias na Etiópia, na Nigéria e no Ruanda. Pesquisa e explora petróleo em 12 Países, tem a maior mina de cobre da Zâmbia, explora madeira na Guiné Equatorial, criou escolas e colocou professores em muitos países.

O Mundo ocidental tem que ter uma estratégia para competir com a China.

Os preços baixos praticados pelos chineses são benéficos para os consumidores, mas são catastróficos para as empresas ocidentais.

A Europa e os EUA dominam a alta tecnologia, as telecomunicações, os comboios de alta velocidade, a maquinaria pesada, a aeronáutica, a electrónica, a química, a biotecnologia etc.

Já há grupos económicos ocidentais que estão a aproveitar a China como plataforma manufactureira para exportação para os mercados ocidentais. Calcula-se que 50% das exportações chinesas são feitas por indústrias de origem estrangeira que, em parceria com empresas chinesas, aí estão a produzir. Algumas vão à China apenas abastecer-se para distribuírem os produtos com marcas próprias caso da Wall Mart. A cadeia Carrefour está a implantar-se, com sucesso, nas principais cidades chinesas.

Os chineses, sobretudo os executivos (há 2,1 milhões de licenciados), gostam de sofisticação, de luxo e de manifestarem status. Isso só se consegue vestindo roupas ocidentais, calçando sapatos de superior qualidade, perfumando-se com produtos sofisticados, bebendo e comendo produtos requintados.

Tudo está complicado, mas vai ficar mais complicado ainda, quando a Índia (1.100 milhões de pessoas que dominam a língua inglesa e 3,1 milhões de licenciados). der o salto quantitativo e também qualitativo.

COMO VAI SER, NÃO SEI.

O que sei é que todos temos que pensar seriamente nesta ameaça, que paira sobre o Mundo ocidental.

segunda-feira, maio 02, 2005

CHEQUES CARECAS

No 1º trimestre deste ano, segundo dados transmitidos pelo Banco de Portugal, foram devolvidos 40.000 cheques com valores inferiores a 150 euros, por falta de provisão.

Tais devoluções equivalem a um valor aproximado de 4 milhões de euros.

O Governo pretende descriminalizar estes casos, para que os Tribunais não fiquem atulhados com processos por emissão de cheques sem provisão.

Tudo bem, para que os Juízes fiquem libertos para os demais casos em litigio e que exigem atenção redobrada e rapidez de decisão.

Se os Bancos não se responsabilizarem pelo pagamento dos tais cheques, não resta aos empresários outra solução que não seja rejeitar cheques de valor inferior a 150 euros.

O pequeno comércio de bairro, as pequenas oficinas e muitas PME não têm capacidade financeira para suportar tais prejuízos

VANDALISMO

As sociedades de consumo têm duas contradições - geram luxo e geram lixo.

Para além de fazer menos lixo, é importante reaproveitar parte dele.

Há cidades que têm adoptado soluções criativas para este problema. Por exemplo Curitiba (Brasil) trocam-se sacos de lixo por senhas para aquisição de géneros alimentares ou por bilhetes nos transportes públicos.

Na Califórnia criou-se uma espécie de Totoloto Ecológico. Escolhe-se uma família ao acaso e vai-se examinar o recipiente do lixo, de surpresa. A família ganha um bom prémio se tiver feito a separação selectiva. Caso contrário, o dinheiro acumula para a semana seguinte - JACKPOT.

O Japão é o País do Mundo que dispõe do melhor sistema de gestão de resíduos do Mundo. Nalgumas cidades chega-se a separar o lixo em 32 categorias diferentes.

Reciclar o mais possível do lixo produzido, deve ser um dos objectivos para todos nós.

Por cada garrafa reciclada é possível poupar energia na produção duma nova, suficiente para um aparelho de TV funcionar durante 1 ½ hora ou manter acesa uma lâmpada de 100 W durante 4 horas.

Hoje de manhã, quando regressava a casa, depois de ter tomado o meu café, fiquei revoltado com a destruição dum contentor de garrafas, existente junto à Igreja de Urrô.

A foto que incluo revela a falta de civismo de alguns energúmenos existentes no nosso País. EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA, PRECISA-SE