terça-feira, maio 17, 2005

Farsa de Raul Brandão


No sábado passado assisti à peça teatral " O Doido e a Morte ", de Raul Brandão.

A peça foi levada à cena por um grupo de teatro amador da freguesia de Rossas. Contou com uma interpretação superior de Manuel Brandão no papel de "Doido".

A peça apresenta dois contrastes comportamentais entre o Governador Civil e o Doido.

O Governador Civil está apegado à vida e não querer morrer. O Doido quer matar-se em conjunto com o Governador, com os moradores do prédio e com os residentes no bairro.

A morte será provocada pela explosão duma caixa com peróxido de azoto.

Os diálogos são soberbos.

O Governador civil, posto perante a iminência da morte por explosão, diz que não está preparado para morrer, que morrer é uma coisa séria, que é um acto que exige uma certa preparação, testamento, despedida dos amigos etc. No auge do desespero o Governador previne o Doido que é um crime punido pelo artigo 343 do Código Penal, atentar contra a vida duma autoridade constituída. e no exercício das suas funções.

Por fim o Governador pede ao Doido que lhe permita ter uma morte onde o seu cadáver possa ser sepultado com decência e com direito a uma lápide onde fique escrito " Aqui jaz um Homem de génio, que não teve tempo de se revelar ".

O Doido, portador duma caixa com peróxido de azoto, explosivo capaz de arrasar o prédio, o bairro e a cidade, diz que é amigo da Humanidade, pois com um só gesto seu faz desaparecer a desgraça à face da terra, acabam-se os crimes, as misérias, enfim tudo o que há de mau no Mundo.

O Doido por fim faz uma dissertação sobre a loucura. Diz ele que um Homem que não tem um pouco de loucura não presta para nada e que passar por doido tem muitas vantagens

O Doido diz que quem tem juízo vive constrangido e está sujeito a mil complicações. Afirma que quem é doido pode seguir à vontade o seu sonho, sem que ninguém se meta com ele. Conclui que todos os Homens que fizeram alguma coisa no Mundo eram doidos.

Quando o Doido apontava o dedo para fazer explodir a caixa de peróxido de azoto, entra uma equipa do manicómio e leva-o de regresso ao hospício.

O Governador Civil, após o que passou exclama " AI O GRANDE FILHO DA PUTA "