quarta-feira, maio 04, 2005

INVASÃO CHINESA

Ontem na RTP1 foi discutido o problema da invasão de produtos chineses em todo o mundo, sobretudo no domínio têxtil.

A liberalização do comércio têxtil estava prevista há 10 anos, desde a conclusão do Uruguai Round.

Uns países preparam-se para esse embate por exemplo a Dinamarca. Este País, que até nem tem grande tradição têxtil, adoptou a seguinte estratégia:
- deslocalizou muitas empresas têxteis para a China
- manteve na Dinamarca as operações que geram valor acrescentado-gestão, design e marcas
-as empresas dinamarquesas fornecem know-how às empresas deslocalizadas, bem como a outras empresas chinesas
-o saldo final entre empregos destruídos e criados foi positivo

Em Portugal, apesar dos apoios recebidos, a fileira têxtil, na grande generalidade, não deu o salto qualitativo que lhe permitisse ser competitiva. Em Portugal só há um sector que, praticamente, não tem problemas que é o têxtil-lar. Este sector industrial investiu em novas tecnologias, instalou máquinas sofisticadas, apostou em nichos de mercado, conseguiu ser competitivo e está a exportar mais, com menos empresas instaladas e com menos trabalhadores.

O sector têxtil português debate-se, portanto, com um problema causado pelos baixos preços praticados pelos chineses. Em 2000 havia em Portugal 230.000 trabalhadores na indústria têxtil e prevê-se que, em 2010, em virtude da liberalização do comércio, haja apenas 130.000 trabalhadores têxteis.

Todo o Mundo vai, portanto, ter que conviver com o gigante chinês, “o perigo amarelo “, que se calcula que, em 2040, ultrapasse os EUA em poderio económico.

No entanto, não é só no sector têxtil que a China está a dar cartas no Mundo.

Neste momento, a China é o 3º maior exportador mundial, tendo ultrapassado o Japão.

A China é o maior exportador mundial de calçado (4,3 mil milhões de pares a 2,6 euros/par)

Nos brinquedos a China detém 75% do mercado e 30% no fabrico de televisores.

Os chineses estão a especializar-se no sector automóvel (produzem 4,4 milhões de carros/ano 7,2% da produção mundial).

A China começou a produzir vinho, bem como trufas de cogumelos iguais às produzidas na Provença francesa e que agora exportam a preços muito mais competitivos.

O mercado de rochas ornamentais era dominado, há 4 anos, pela Itália, Espanha e Portugal. Neste momento, o líder mundial é a China, que importa pedra natural de Portugal, transforma-a e vende-a novamente a Portugal com preços 1/3 mais baixos dos que aqui são praticados.

A China para garantir as suas produções industriais tem necessidade de muitas matérias-primas. A título de exemplo a China compra a preços imbatíveis toda a sucata que se produz no Mundo.

Com vista a garantir o acesso aos vastos recursos naturais do continente africano, a China está a fomentar laços comerciais, políticos e militares com 54 Países de Africa. Desde 2000 o comércio da China com África triplicou.

A China está a fazer infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias na Etiópia, na Nigéria e no Ruanda. Pesquisa e explora petróleo em 12 Países, tem a maior mina de cobre da Zâmbia, explora madeira na Guiné Equatorial, criou escolas e colocou professores em muitos países.

O Mundo ocidental tem que ter uma estratégia para competir com a China.

Os preços baixos praticados pelos chineses são benéficos para os consumidores, mas são catastróficos para as empresas ocidentais.

A Europa e os EUA dominam a alta tecnologia, as telecomunicações, os comboios de alta velocidade, a maquinaria pesada, a aeronáutica, a electrónica, a química, a biotecnologia etc.

Já há grupos económicos ocidentais que estão a aproveitar a China como plataforma manufactureira para exportação para os mercados ocidentais. Calcula-se que 50% das exportações chinesas são feitas por indústrias de origem estrangeira que, em parceria com empresas chinesas, aí estão a produzir. Algumas vão à China apenas abastecer-se para distribuírem os produtos com marcas próprias caso da Wall Mart. A cadeia Carrefour está a implantar-se, com sucesso, nas principais cidades chinesas.

Os chineses, sobretudo os executivos (há 2,1 milhões de licenciados), gostam de sofisticação, de luxo e de manifestarem status. Isso só se consegue vestindo roupas ocidentais, calçando sapatos de superior qualidade, perfumando-se com produtos sofisticados, bebendo e comendo produtos requintados.

Tudo está complicado, mas vai ficar mais complicado ainda, quando a Índia (1.100 milhões de pessoas que dominam a língua inglesa e 3,1 milhões de licenciados). der o salto quantitativo e também qualitativo.

COMO VAI SER, NÃO SEI.

O que sei é que todos temos que pensar seriamente nesta ameaça, que paira sobre o Mundo ocidental.