terça-feira, maio 10, 2005

O VOLFRÂMIO EM AROUCA

A quando da II Guerra Mundial (1939-45), Arouca transformou-se num “ El Dorado” português.

Em virtude de haver grandes quantidades de volfrâmio, sobretudo em Rio de Frades e em Regoufe, milhares de pessoas de todo o País deslocaram-se para Arouca, para aqui tentarem a sua sorte.

O volfrâmio era essencial para o fabrico de peças de artilharia e era altamente disputado quer pelos aliados, quer pelos alemães.

Salazar sempre fez um jogo duplo na exploração e na comercialização do volfrâmio. Portugal não esteve envolvido na II Guerra Mundial devido ao volfrâmio e à manhosa “neutralidade activa”, praticada por Salazar.

Em Arouca, Salazar deu concessões mineiras aos ingleses em Regoufe e a 5 Kms de distância, em Rio de Frades, ficavam as explorações dos alemães, chefiados pelo germânico Kurt Dithmer (homem corpulento com 2 metros de altura) e que era também o representante da empresa siderúrgica alemã Krupp.

Em Arouca, para os dois beligerantes em conflito, apenas interessava extrair o maior nº de toneladas de volfrâmio (trióxido de tungsténio WO3). Não consta que tenha havido conflitos entre eles, nos encontros ocasionais nas ruas da Vila.

Quer os ingleses, quer os alemães construíram estradas para permitir o escoamento do minério extraído. Construíram também bairros sociais para alojar os mineiros. Inexplicavelmente, as condições de habitabilidade dadas pelos alemães eram muito superiores às concedidas pelos ingleses.

O preço do volfrâmio dependia do curso da guerra. A partir de 1943, sobretudo depois do dia D (desembarque na Normandia), as coisas começaram a pender para o lado dos aliados e os preços do volfrâmio começaram a descer. No período de maior procura chegou a vender-se minério a 1.500$00/kilo, tendo descido para 300$00.

No entanto, até esse ano, ganharam-se verdadeiras fortunas, quando se tinha a sorte de encontrar um bom filão.

Como era dinheiro ganho dum dia para o outro, também desaparecia rapidamente.

Cometeram-se autênticas loucuras acender cigarros com notas, analfabetos compravam canetas Parker para trazer no bolso do casaco com um lencinho, usava-se um relógio em cada pulso, ia-se tomar café ao Porto, de táxi, porque o café em Arouca estava cheio e demorava muito tempo a servir.

Muitos vendedores de minérios realizavam fortunas de um dia para o outro, quando encontravam compradores menos experientes no reconhecimento do minério. O volfrâmio para exportação devia ter, no mínimo, 65% de trióxido de tungsténioWO3. Os vigaristas faziam a chamada “fritangada”, que consistia em fritar pirite (que era abundante) numa frigideira com azeite e petróleo. Conseguia-se, assim, a cor igual à do volfrâmio.

Nesse período da guerra fez-se também muita contra-informação, sobretudo em Lisboa, no tocante a carregamento de volfrâmio em barcos. Os navios mercantes eram carregados de pedra, para um determinado destino, avisavam-se os inimigos, os barcos eram afundados e os exportadores ficavam a lucrar verbas astronómicas.

Em Arouca, ficou a memória dum tempo em que os mineiros não quiseram perder a oportunidade de serem ricos por um dia, de dormir em hotéis de luxo com companhia, de cometer extravagâncias e maluqueiras de toda a espécie, de gastarem fortunas em jantaradas no Porto, em comprarem fatos bem feitos na Casa Inglesa, em terem aventuras com mulheres e terem gasto somas apreciáveis no jogo.

Neste momento, as concessões mineiras estão abandonadas, as construções estão praticamente todas destruídas e as máquinas das lavarias retorcidas.

O “ El Dorado” terminou há 60 anos , em Arouca..

6 Comments:

Blogger Arouca.biz said...

Arouca.biz!

8:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

badameko dum raio. calka estrume

1:14 da tarde  
Anonymous josé lopes-cardoso said...

conheci arouca ha mais de 50 anos...tudo aquilo k diz é exacto.conheci a electroseparadora de arouca,onde o minério era processado.conheci o "joão bicha",k o tempo fez cauteleiro e engraxador ,o qual,era sabido,acendia charutos com notas de 500 escudos e ía beber o café ao porto.tantas coisas mais...obrigado p seu trabalho de interessante investigação.josé lopes-cardoso.

10:02 da tarde  
Anonymous josé lopes-cardoso said...

ão ,na verdade,o estrume (mau ) desta terra...
j.lopes-cardoso.

10:17 da tarde  
Anonymous josé lopes-cardoso said...

nada acrescentam ao conhecimento.cobardemente insultam debaixo da capa do anonimato(como é próprio ).são,na verdade,o estrume (mau)desta e de todas as terras...
j.lopes-cardoso.

10:34 da tarde  
Blogger Wolf Berrinhos said...

Existe um site sobre a aldeia de Rio de Frades, que também se refere à exploração de volframio que aí foi efetuada.
https://sites.google.com/site/riodefradesaldeia/

10:00 da manhã  

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