quinta-feira, maio 05, 2005

SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA

Muito se tem falado, nos últimos dias, na sinistralidade rodoviária, em Portugal.

Apesar de se ter registado, em 2004, um decréscimo de 17% no número de mortos nas estradas nacionais, comparativamente a 2003, continua a morrer, anualmente, um número anormal de pessoas.

Tendo em linha de conta as estatísticas oficiais, hoje ao fim do dia, 4 famílias portuguesas viram partir entes queridos, vítimas da “guerra civil” que se trava nas nossas estradas. Alguns dos mortos serão jovens em plena actividade, com sonhos e projectos pessoais que gostariam de concretizar e cujas vidas foram ceifadas em segundos.

Os acidentes rodoviários em Portugal, na quase totalidade, são consequência de falha humana condução perigosa, ultrapassagens incorrectas, desrespeito pela sinalização, velocidade excessiva para as condicionantes das vias, condução sob o efeito do álcool e uso indevido do telemóvel.

Se quisermos que, dentro de alguns anos, a sinistralidade nas nossas estradas recue para valores menores, temos que promover a educação rodoviária nas nossas escolas básicas. Acontece, porém, que se os filhos virem os pais a fazer sempre uma condução irresponsável e perigosa, eles mais tarde, naturalmente, imitam os pais e de nada valerá a educação rodoviária transmitida nas escolas.

Todos nós que andamos nas estradas cometemos, de vez em quando e em determinadas circunstâncias, alguns erros e infracções.

Acontece, porém, que há condutores que TODOS OS DIAS E EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, têm uma condução perigosa.

Não se pode conduzir da mesma maneira numa estrada em bom ou mau piso, de dia ou de noite, com chuva ou em piso seco, com nevoeiro e com veículos em bom estado ou com pneus e travões em mau estado.

Assistimos todos os dias a comportamentos criminosos baseados na necessidade de afirmação pessoal, bem como uma cultura institucionalizada de transgressão. Todos os dias vemos carros que nos ultrapassam ao dobro da velocidade permitida, são ultrapassagens loucas em locais de fraca visibilidade e são manobras violadoras dos mais elementares regras do bom senso.

Todos estes comportamentos custam caro ao País (calcula-se que representem 5% do PIB) – hospitalizações, tratamentos em centros de reabilitação, faltas ao trabalho, pensões de invalidez, tratamentos psicológicos, indemnizações etc.

Um carro mal conduzido, é uma arma mortal.

Parece que há condutores que pela maneira como conduzem querem aparecer, no dia seguinte, nas primeiras páginas dos jornais ou na abertura dos noticiários da TV.