segunda-feira, junho 13, 2005

MORTE DUM COLEGA E AMIGO

Como habitualmente, hoje ao chegar à Vila de Arouca, comprei o jornal, pedi o meu café e comecei a ler as notícias do dia – eleições na Galiza, marcha contra a fome, fraca afluência no referendo italiano, corrupção no Brasil, romaria ao túnel de Ceuta (Porto), referendo europeu, voos semanais de Bragança para Paris, arrastão de Carcavelos, subida de 10% nas vendas na Feira do Livro do Porto etc.

Chegado à página 49 fiz as palavras cruzadas e li o meu horóscopo que dizia o seguinte: “Desista de querer controlar, transformar. Permita-se curtir a graça da vida da forma como se manifesta “. Comentei para mim próprio – Bom Conselho.Tem juízo, Aproveita a vida.

Virei a folha e salta-me à vista, na página da necrologia a fotografia repetida 5 vezes dum colega de turma do Colégio Universal (Porto). Senti como que uma pancada na cabeça.

A última vez que tinha estado com o Eng.º Pinheiro tinha sido há 3 anos, num encontro anual, que procura reunir antigos alunos do Colégio, no restaurante Braseiro em Valadares (Gaia).

Recuei 50 anos e recordei o Joaquim Pinheiro como colega de turma. Recordei as violências que sofremos do nosso exigente Prof. de Francês, o rigor das aulas de Matemática, as sínteses espectaculares feitas pelo Prof. de História, as praxes colegiais, as disputas campais entre os alunos de Ciências e os de Letras, o desvio do badalo da sineta para a linha férrea Porto-Póvoa, os roubos dos testes de Português etc., etc.

A vida da tropa afastou-nos e voltamos a encontrarmo-nos muitos anos mais tarde quando a empresa que ele dirigia forneceu dezenas de máquinas para uma empresa a que estive ligado.

Recordei também uma viagem de negócios que fiz com ele à Bélgica, dum jantar que tivemos com industriais belgas num restaurante jugoslavo (creio que se chamava Miriam), dum aperitivo esquisito que nos serviram (que uma ajudante de cozinha transmontana nos explicou que era feito com abrunhos) e dum cabrito assado à moda de Split e que estava excelente.

O Pinheiro foi uma pessoa que viveu a vida com muita intensidade e talvez em excesso.

Descansa em Paz, Caro Joaquim Pinheiro.

Voltei a pensar no que rezava o meu horóscopo “permita-se curtir a graça da vida da forma como se manifesta “.