sexta-feira, junho 24, 2005

SECA EM PORTUGAL


Segundo a Associação Portuguesa de Recursos Hídricos " temos mais água que a Espanha ", mas confrontamo-nos com a má gestão deste recurso e com a falta de planeamento. Isto é evidente, quando olhamos para Alqueva.

Portugal deve dispor de reservas estratégicas de água, instalando albufeiras em rios totalmente nacionais (já que muitos rios ibéricos apresentam elevados indices de poluição devido sobretudo ao tipo de agricultura intensiva praticada em Espanha) com adequada capacidade de armazenamento. A capacidade de armazenamento de água em Portugal é ridícula, pois estamos atrasados décadas, relativamente aos nossos vizinhos.

Portugal tem necessidade de 7,5 mil milhões de m3 anuais de água.

Há projectos de grandes barragens, que custam a avançar devido à teia burocrática. O Alto Côa e o Baixo Sabor, por exemplo, não avançam, pois já vão no 3º Estudo de Impacte Ambiental.

Os fundamentalistas põem-se em campo, pois são apologistas de que "o óptimo está no nada fazer". Muitos deles pertencem à Associação de " NAO-FEITORES ".

Como não temos "reservas estratégicas de água", recorremos muito às reservas subterrâneas, particularmente em períodos de seca. Só que essas reservas subterrâneas não ultrapassam os 7 a 8% dos nossos recursos hídricos. A continuarmos assim, vamos esgotar os aquíferos e provocar a salinização nos aquíferos junto à costa.

O fenómeno da seca vai repetir-se e agravar-se. Nos últimos 15 anos, Portugal já teve 4 períodos de seca. Quando chove em demasia, a água corre direitinha para o mar, sem qualquer utilidade, chegando, em alguns casos, a provocar inundações e destruições.

Para além de nos habituarmos a consumir racionalmente a água disponível, temos que actuar, principalmente, em duas áreas:
1 - A agricultura gasta 70% da água doce existente no Mundo. Os sistemas de irrigação são ineficientes, ocasionando perdas de aproximadamente 60% (fazem-se regas nos períodos de maior calor, o que ocasiona grande evaporação de água).
2 - Da água captada para distribuição domiciliária perde-se cerca de 40% nas redes de canalização.

Portugal se não quiser ter problemas de auto-suficiência de água, tem que agir correctamente - racionalizar os consumos, combater os desperdícios e aproveitar os rios nacionais para armazenar água nos tempos de abundância e para a ter disponível para momentos de escassez.

Como estamos a ver pelas notícias difundidas hoje, não podemos contar com os rios ibéricos pois, em anos de seca, a " HIDRO-DIPLOMACIA " com Espanha funciona com algumas limitações e estrangulamentos.