terça-feira, julho 12, 2005

FOGOS FLORESTAIS


Vivo num lugar cercado de centenas de carvalhos e sobreiros dos lados norte e nascente e de árvores de fruta dos lados sul e poente.

Há mais de 67 anos que não se registavam fogos florestais neste lugar.

Infelizmente, este ano, registou-se um pequeno incêndio em Março a 500 metros da minha casa. Em Maio deflagrou outro incêndio a 50 metros de casa, mas o vento que soprava de sul arrastou o fogo para o lado contrário da casa.

Este fim-de-semana, a 1.000 metros da casa, registou-se outro incêndio de grandes proporções que exigiu meios aéreos para o combate. Os bombeiros estiveram no local por mais de 30 horas. No domingo, ao fim do dia o ar era irrespirável.

Portugal não pode viver com este flagelo, como se fosse uma fatalidade inevitável todos os verões.

Embora as condições climatéricas adversas contribuam para o deflagrar de incêndios, estes são essencialmente devidos à incúria, desleixo e falta de civismo. Estou certo de que 90% dos fogos florestais são fruto da acção humana.

Haverá, com certeza, pirómanos à solta, que sentem prazer em ver matas a arder. Prendam-se essas pessoas de Maio a Outubro.

Temos, no entanto, que reconhecer que há outros comportamentos que, se não forem alterados, vão contribuir para que a nossa riqueza florestal seja posta em causa num futuro muito próximo.

De Arouca saem, em média, 600 metros cúbicos de madeira por dia. O sector florestal representa um papel importante na actividade económica do Concelho, quer em termos financeiros, quer em nº de postos de trabalho afectos à exploração.

Alguns comportamentos incorrectos:
- as matas não são limpas. Dezenas de milhares de desempregados podiam proceder à limpeza das florestas, recebendo uma recompensa adicional ao subsidio que recebem. Esse suplemento financeiro será, com certeza, menor do que os custos operacionais de combate aos fogos
- a floresta está mal ordenada, com espécies desaconselhadas para certos locais (monocultura de eucalipto com dezenas de Kms de extensão)
- cigarros são atirados de viaturas em movimento
-vidros de embalagens deixadas em matas podem, com a incidência dos raios solares, funcionar como lupas para provocar um incêndio