quinta-feira, julho 21, 2005

INSTABILIDADE GOVERNATIVA

Ficou ontem demonstrado, ao fim do dia, que rigor orçamental e política de austeridade são incompatíveis com os próximos calendários eleitorais (Outubro e Janeiro).

O Ministro Campos e Cunha estava cansado e saiu do Governo. A linguagem “politicamente correcta” adoptada não corresponde, minimamente, aos factos reais.

O Ministro Campos e Cunha era o verdadeiro pilar de sustentação do Governo. A competência, o rigor e a independência eram atributos que lhe conferiam credibilidade para sanear as Finanças Públicas (isto não quer dizer que eu estivesse de acordo com algumas das linhas estratégicas adoptadas).

Acontece porém que, mesmo antes de ter tomado posse, o Ministro, contrariando as promessas e as declarações do recém-empossado Primeiro-ministro, afirmou que era necessário aumentar os impostos.

Depois foi a tomada de medidas gravosas vertidas quer no Orçamento Rectificativo, quer no Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado e sancionado favoravelmente pela UE, exactamente no dia da sua exoneração.

As divergências foram-se agravando até à aprovação do PIIP, tendo culminado com a publicação dum artigo de opinião da autoria de Campos e Cunha e publicado no jornal “Público”, no fim-de-semana.

Na visão do Ministro Campos e Cunha estavam previstos investimentos prioritários “faraónicos” que enchiam o “olho”, mas que representavam esbanjar dinheiro.

O País, para sair da grave crise económico-financeira em que se encontra, tem que reduzir despesas públicas e simultaneamente tem necessidade de ter crescimento económico sustentável e é imperioso combater a “doença social “ que representa o desemprego.

Só se criam empregos com crescimento económico acima dos 2,5%/ano.

Quer a Ota quer o TGV vão criar postos de trabalho (sobretudo para dezenas de milhar de emigrantes) e vão ser uma “mina” para o lobby da construção civil.

Quanto aos equipamentos para estas 2 infra-estruturas, as aquisições significam ajudarmos a criar riqueza na Alemanha, França, Inglaterra e EUA, países de onde temos que importar os equipamentos.

A nossa balança comercial tem vindo a agravar-se constantemente e com estas aquisições piores ficamos.

O problema da construção do Aeroporto da Ota é o que me causa mais engulhos. Tenho ouvido tantas opiniões contraditórias que sou adepto de que é necessário “ REFERENDAR A OTA “.

Em 1973 os técnicos diziam que a Portela estaria saturada em 1980. Agora diz-se que estará saturada em 2013/2014.A aviação comercial sofreu grandes transformações, sobretudo com os voos “low cost”, que procuram aeroportos com taxas de utilização baixas, o que não acontece com a Portela. Devido aos custos operacionais os dois maiores “players” do sector de “low cost”- Easy Jet e a Ryanair evitam a Portela.

Para que Lisboa não fique à margem do fenómeno explosivo dos “low cost”a solução chama-se Alverca. Alverca fica a 14 quilómetros de Lisboa, tem facilidade de acesso à AE e à CREL, bem como ligação rápida de comboio ao centro de Lisboa. A acrescentar a estas facilidades, Alverca encontra-se no mesmo canal de navegação aérea da Portela.

Ouvi um defensor da Ota argumentar que Lisboa teria que ter um aeroporto que pudesse receber o AIRBUS 380, que vai começar a voar em 2006/2007. Este avião dadas as suas características de operacionalidade só pode operar para destinos geradores de grandes fluxos de passageiros. Na Europa prevê-se que este avião apenas operará em 6 aeroportos.(e Lisboa não está nessa lista).

Dizem muitos especialistas que a Portela mais Alverca é igual ao nº de passageiros previstos para a Ota e “ CUSTA 1/3 DA OTA “

Por isso REFERENDE-SE A OTA

2 Comments:

Blogger rajodoas said...

Concordo inteiramente com a sugestão. Numa altura em que se continua a impôr
aos portugueses o aperto do cinto num
sacrifício quase insuportável das famílias, como se justifica o anuncio do lançamento de investimentos tão vultuosos. Pois referende-se a OTA e o TGV, e o povo que decida. Com um abraço do Raul

9:54 da tarde  
Blogger Carlos said...

... obrigado pela passagem pelo meu blog e respectiva Fazedoria.

... eu por mim nesta altura do campeonato, nem a referendo iria!
o pessoal tá teso que nem carapau, o estado está teso que nem carapau ...

... e sabe-se lá o que poderia o dito referendo apontar! se calhar por politiquices mesquinhas,ainda os aprovavam!

...bolas!


Xi

12:53 da manhã  

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