terça-feira, agosto 16, 2005

CONCERTO DOS U 2

Quando faço este post, já a melhor banda rock do Mundo passou por Lisboa como um foguete, para dar o concerto mais esperado do ano, em Portugal.

À volta deste fabuloso espectáculo há que referir alguns aspectos reveladores da histeria colectiva ligada a este concerto bilhetes esgotados há muitos meses, falsificação e especulação dos ingressos (500 euros por um lugar de bancada e propostas “indecentes” pela Internet a 1.000 euros).

Referir o aparato da super estrutura tecnológica montada no Estádio Alvalade XXI – palco de 80 metros de largura e 20 metros de profundidade, uma muralha de luzes, ecrãs gigantes e aparatoso sistema multimédia, tudo isto transportado por 70 camiões TIR e instalado por 300 pessoas.

Depois a cerimónia de condecoração com a Ordem da Liberdade pelo Presidente da Republica, com base no envolvimento da Banda no perdão da dívida do 3º Mundo, na defesa de causas humanitárias e dos direitos humanos.Quem sou eu para discutir a justeza desta atribuição honorífica (só sei que Portugal tem que perdoar a dívida de Moçambique).

Não fui das 52.000 pessoas que assistiu ao concerto, mas vi reportagens elucidativas da inconfundível guitarra de The Edge, a voz fabulosa de Bono, a sonoridade das canções e as mensagens mobilizadoras de consciências.

Parece tudo perfeito e em sintonia.Será que tudo bate certo?

Bono revela uma vertente messiânica de agitar consciências para combater a pobreza, promover a paz e a solidariedade e o entendimento entre religiões.Bono fundou a organização DATA que visa lutar pelo perdão da dívida dos Países do 3º Mundo, pelo combate à Sida em África. Tem sido recebido, ouvido e é temido pelos homens mais poderosos do Mundo.

Tive oportunidade de ler uma entrevista feita a Bono pelo jornalista David Dusster e que à pergunta – PORQUÊ O NOME VERTIGO, respondeu “ é um sentimento de estar no início do século XXI e ver o Ocidente tão opulento. É sentir que o que te rodeia te enjoa, vês que as pessoas não sabem para onde olhar, que estás onde te deverias sentir bem e não sentes e que a música não tem sentido “

Sem pôr em causa o valor artístico inquestionável dos U 2, ficaria de mal com a minha consciência se não questionasse toda a vertente filantrópica da banda com estes factos:
1 – Os U 2 acordaram domingo de manhã na sua mansão em Nice, entraram no seu avião privativo Airbus rumo a Lisboa com uma comitiva de 150 pessoas, entre elas vários cozinheiros (para quê?)
2 – Aterraram em Lisboa à hora do almoço e foram embora, logo a seguir ao concerto
3 – Antes e durante o concerto as tendas de merchandising vendiam peças referentes à banda a preços exorbitantes – uma sweat-shirt custava 50 euros
4 – A Banca “ POBREZA ZERO” vendia pulseiras a 1 euro

Admito que não concordem com estas interrogações. Mas tinha que as fazer.

3 Comments:

Blogger CP said...

Eu sou dos poucos habitantes deste planeta que não gosta dos U2. Se calhar gostava de gostar... mas não gosto.
Admiro muito as iniciativas que eles tomam em favor do mundo, mas admito que o que dizes lhes desconta muito na credibilidade.
"À mulher de César não basta ser séria, tem que parecê-lo"

12:27 da tarde  
Blogger Armando S. Sousa said...

Duarte,

Penso que o Bono desempenha um papel de Embaixador empenhado na luta contra a probeza, com um cada vez maior envolvimento nesta causa. As tuas interrogações são oportunas e devem fazer a quem as ler meditar nelas, no entanto, o Bono, e ainda mais o resto da Banda, não fizeram votos de pobreza portanto deverão ter o direito de usufruir dos bens e dos meios que tem. Quanto à exploração das pessoas, através do merchandising, é uma situação deplorável mas que cada vez é mais banal.
Um abraço.
PS. O post está em duplicado.

4:14 da tarde  
Blogger rajodoas said...

Não fiz qualquer referência a esta banda porquanto apenas aprecio uma a
duas interpretações do seu primeiro album e que durante o concerto dado em Alvalade mereceu uma enorme ovação o que também pode significar que os mais recentes trabalhos não foram tão bem conseguidos. O facto de ser relevante o papel que a banda na pessoa do Bono tem representado no apoio na luta contra a pobreza, sobretudo em África, não os impede de que sejam do ponto de vista do
negócio influenciados por essa virtude. Com um abraço do Raul

10:38 da tarde  

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