segunda-feira, setembro 19, 2005

CATÁSTROFE DE NOVA ORLEÃES

Durante as férias em Torremolinos assisti, incrédulo, à passagem de imagens terríveis que os media difundiam sobre o desastre de Nova Orleães, devido ao furacão Katrina.

Tenho que reconhecer, em face dos factos ocorridos, que tivemos o sistema americano a funcionar no seu melhor – SALVE-SE QUEM PUDER.

Quando foi recomendada a evacuação de Nova Orleães, só saíram os que tinham capacidade de sobreviver devido ao nível económico, mobilidade, idade ou até raça.

Os pobres (grande maioria), os idosos, os enfermos que puderam chegar ao estádio coberto foram empilhados às dezenas de milhares sem cuidados médicos, privados de alimentos e de água, sem medicamentos e mais grave que tudo – SEM ESPERANÇA.

Foi uma selecção monstruosa e criminosa feita entre ricos e pobres, brancos e pretos, jovens e velhos, sãos e doentes.

A Administração americana em vez de accionar os planos de protecção civil, em vez de enviar meios de resgate, em vez de disponibilizar maquinaria para enfrentar as inundações, o que enviou foram tanques, armas, soldados e policias para deter os saques e as pilhagens.

Como é possível que o País que se considera o mais desenvolvido do mundo (que bombardeia asteróides, que chega à lua, que explora Marte, que organiza viagens pelo espaço sideral, que coloca muitas dezenas de milhares de soldados, em poucas horas, para atacar um País adversário, não consegue reagir de forma positiva a uma catástrofe natural.

Uma caricatura publicada num jornal espanhol retratava a 1ª página do “The New Orleans Times” com este texto – OS PAÍSES POBRES OFERECEM AOS EUA 0,7 % DO SEU PIB.

Até o arqui-inimigo cubano colocou 1.100 médicos com experiência em situações de emergência à disposição dos EUA, sem qualquer contrapartida politica ou económica.

Uma última informação publicada no EL PAIS no dia 7 de Setembro. A empresa Halliburton de que foi responsável máximo o actual Vice-Presidente dos EUA Dick Cheney, vai ficar com o maior bolo financeiro canalizado para a reconstrução de Nova Orleães, dado que a empresa tinha celebrado um contrato com o Pentágono, em Junho, sem concurso prévio, para eventuais obras de reconstrução em caso de desastres naturais

Esta empresa, bem como a sua subsidiária KBR (Kellog, Brown & Root Services) têm sede em Houston (Texas) – terra do grandessissimo actual Presidente dos EUA.

Viva o rega-bofe Um mar de oportunidades e de lucros, com a desgraça dos outros.

1 Comments:

Blogger H. Sousa said...

Pode dizer-se que a pobreza é um sub-produto da riqueza, ou vice-versa.
Pelos seus links, noto certas afinidades. Parabéns pelo blog.

7:40 da tarde  

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