segunda-feira, outubro 31, 2005

SUINICULTURAS POLUIDORAS

Mais uma vez, a ribeira dos Milagres em Leiria foi vítima, há dias duma descarga poluente, proveniente das suiniculturas existentes na região.

Os moradores criaram uma brigada nocturna de vigilância, constituída por 10 pessoas quando havia descargas constantes, mas desactivaram-na, há meses.

As descargas são sempre associadas à quantidade excessiva da água, já que, durante o verão, não se registam, propriamente, descargas.

Parece que está em marcha o concurso para o tratamento dos efluentes das explorações, mas, enquanto não se conhece o vencedor do concurso, o problema continuará a verificar-se, com danos irreparáveis para a fauna piscícola, bem como para a qualidade de vida das populações afectadas.

Só por curiosidade refiro como em Espanha, por exemplo na zona de Alhama (Múrcia), foi resolvido este problema.

Os dejectos das suiniculturas com altas doses de amoníaco, nitrogénio orgânico, fósforo e potássio são tratados industrialmente, por um processo de evaporação. Este método permite obter água condensada livre de impurezas, metano para produzir biogás destinado a abastecer os motores de produção energética e, finalmente, um produto sólido que é utilizado como fertilizante agrícola.

A fábrica de Alhama tem capacidade para tratar 110.000 toneladas de dejectos/anoe é controlada pela Iberdrola, através da sua filial Energyworks e tem uma potência de 15 MW. São tratados os dejectos de 1.640 suiniculturas desta região de Múrcia com mais de 1.500.000 cabeças.

A legislação comunitária obriga a que se faça o tratamento dos dejectos. Por isso a Espanha criou várias empresas que estão a desenvolver projectos industriais nesta área. A Iberdrola, o Grupo Fuertes e a Cefusa estão a montar mais de 15 fábricas.

Os clientes não pagam nem um euro pelo serviço, já que o tratamento tem ajudas comunitárias.

NOTA FINAL
A Espanha estuda os problemas a fundo, discute todas as soluções e, por fim, põe em marcha a solução que melhor resultado apresente.
Já fez isso com a energia eólica (criou um nicho de mercado industrial, criando mais de 20.000 empregos), transformando-se, numa década, no 3º País mundial produtor de aerogeradores.

1 Comments:

Blogger CP said...

Temos muito, muito, muito para aprender. A não sei que não queiramos. Os exemplos estão aqui tão perto.

3:57 da tarde  

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