quinta-feira, novembro 03, 2005

CRIANÇA-BOMBA

Há dias, uma criança árabe, de apenas 12 anos de idade, transportando uma bomba artesanal à cintura, fez-se explodir em Kirkuk, a norte do Iraque, com vista a causar a morte ao chefe da polícia local, o General Khattab Abdallah Areb.

Da explosão resultou, apenas, a morte da criança-bomba.

Como é possível convencer uma criança a um gesto derradeiro e que representa a destruição definitiva do único valor que possui – a vida?

Como é possível intoxicar uma criança para ter uma atitude niilista como esta, quando ela devia era brincar, aprender, valorizar-se pela educação?

Segundo relatos que nos chegam, essas crianças são mentalizadas nas escolas corânicas para o sacrifício total em nome de Alá. São acompanhadas por mentores, sobretudo nas horas finais do sacrifício total, com a promessa de alcançarem o Paraíso.

Na minha maneira de pensar como ocidental, tal comportamento é moralmente detestável, humanamente intolerável e intelectualmente desprezível.

Como é que nós ocidentais vamos conviver com este fenómeno terrorista, cada vez mais globalizado?

Desde o século VII que o Islão combate os infiéis – cristãos e judeus. O islamismo tem funcionado, essencialmente, como cimento de identidade colectiva – é-se muçulmano, antes de se ser saudita, líbio, marroquino, egípcio, sudanês, paquistanês ou indonésio.

Da leitura do Corão, não se pode concluir, obrigatoriamente, a necessidade duma guerra santa. O Corão, na essência, faz a apologia da paz e do amor. Uma leitura de carácter mais belicoso, feita por fundamentalistas, é que tem conduzido a guerras, morticínios e atrocidades em nome de Deus. Temos que reconhecer que os cristãos também têm contribuído para agravar este estado de coisas, de que são exemplo as Cruzadas.

No momento actual, o Mundo está essencialmente, dividido em dois blocos teístas dum lado os cristãos e os judeus e do outro lado os muçulmanos.

Israel é, normalmente, apontado como causa, origem ou finalidade do “braseiro” ateado no Médio Oriente.Por outro lado, a guerra politicamente injustificada e socialmente iníqua provocada no Iraque, fez explodir a espiral de violência, à escala global.

Como ultrapassar esta situação?
- acabar com a ocupação do Iraque causa do aumento do sentimento anti-ocidental
- impor a paz no Médio Oriente, custe o que custar
- combater o neo-fundamentalismo gerado em algumas comunidades muçulmanas radicadas nas grandes cidades ocidentais
-ajudar a combater a miséria e a exclusão social nos Países Árabes
-não tentar impor as regras democráticas a povos em que a lei corânica rege o conjunto da vida civil, em que Deus (Alá) é a única autoridade legítima, é a única fonte da lei, em que Deus é o Legislador
- não tentar impor as regras da vida ocidental a povos com tradições ancestrais. Um estado islâmico não autoriza a venda de álcool, consumo de carne de porco, a prostituição, o adultério, o erotismo ou a homossexualidade.

Só estas medidas, na minha modesta opinião, podem não contribuir para erradicar o terrorismo, mas estou certo de que podem atenuar este clima de ódio existente.

Que Deus, Jeová ou Alá nos ajude a termos paz no Mundo.

1 Comments:

Blogger rajodoas said...

Que urge as grandes potenciais fazerem algo para inverter a tendência do aumento do ódio é uma necessidade que julgo todos sentimos. Mas que não será acitando os ânimos as estes fanáticos que conseguem incutir numa crianaça de tenra idade o sentimento de ódio ao ponto de morreram com a própria explosão é absolutamenete reprovável.

10:59 da tarde  

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