domingo, novembro 06, 2005

GUERRILHA URBANA EM FRANÇA

Todos nós assistimos incrédulos aos graves atentados patrimoniais, levados a efeito ao longo destes últimos 10 dias, em França, provocados por jovens emigrantes da 2ª geração, “guetizados” nas periferias das grandes cidades.

Mais de 3.000 viaturas incendiadas, milhares de caixotes de lixo queimados, centenas de autocarros destruídos, armazéns, lojas e centros comerciais incendiados e pilhados, carros de policia apedrejados, enfim uma onda de destruição de bens que conduzirá, forçosamente, a mais pobreza e menos empregos.

Estes acontecimentos trágicos não ocorreram de “geração espontânea”. São fruto duma deficiente politica de integração. Os ideais republicanos que a França legou ao Mundo LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE, falharam neste caso concreto. A maioria destes jovens já nasceram em França, mas sentem-se como estrangeiros e vivem em ZUS (zonas urbanas sensíveis), onde o desemprego atinge 20% da população, a pobreza 25% e um T3 serve para alojar 15/20 pessoas.

A morte de 2 jovens a fugir da policia, o lançamento duma bomba de gás lacrimogéneo sobre uma mesquita em Clichy-sous- Bois e as declarações infelizes do Ministro do Interior Nicolas Sarkozy foram o rastilho para esta grave situação. O Ministro do Interior ao apelidar estes grupos de “escumalha”, talvez não tenha estado longe da razão mas, em politica, é necessário saber medir o alcance das palavras que se proferem.

Agora a França debate-se com um problema que começou em Paris, mas que, entretanto, se estendeu a outras cidades – Lyon, Estrasburgo, Dijon, Toulouse, Pau, Rennes e a Marselha.

O Governo francês se quiser ganhar esta guerra, tem que perder uma batalha-o Ministro do Interior deve sair do Governo (o que significa perder uma oportunidade de se candidatar à Presidência da Republica em 2007).

O novo Ministro do Interior terá que agir com firmeza contra os jovens delinquentes, procurando conciliar diálogo e apelo à calma com a necessidade de manutenção da ordem.

O Governo francês deve dialogar com os representantes desses cidadãos nascidos em França para, em conjunto, diagnosticarem as causas deste grave problema, que passa com certeza pelos cortes brutais feitos nos investimentos para a integração e habitação social, falta de empregos, insucesso escolar etc.

Se este problema não for, rapidamente, resolvido em França, estou convencido que situações idênticas vão surgir na Alemanha, em breve. A Espanha (sobretudo o sul) também pode passar pela mesma situação. E nós, em Portugal, se não agirmos rapidamente para resolvermos o problema da “guetização” de muitas minorias étnicas, daqui a 5/10 anos vamos viver idênticos problemas.

O “ modelo social europeu” está a desagregar-se.

3 Comments:

Blogger grzl said...

eu acho que não se pode pactuar com o terrorismo e o vandalismo.
neste caso, a tentativa de solução do problema tem que ser "com um pau na mão e o pão na outra". desculpa o meu radicalismo,mas o mundo está perigoso.
beijo
graziela

6:34 da tarde  
Blogger rajodoas said...

Discordo da opinião de Graziela. Tendo sido o Ministro do Interior o principal culpado com a frase infeliz que proferiu designando os autores destes actso de vandalismo de escumalha, se tivesse apenas um pouco de bom senso demitia-se porque foi ele que incendiou os ânimos. Aliás são os próprios franceses que o reconhecem. Mas como não é ele que está a ser prejudicado na perda dos seus bens continua agarrado ao lugar. Lá como cá amigo Duarte desculpe-me a expressão a merda é a mesma quando agarrados poder.

9:15 da tarde  
Blogger mfc said...

Concordo inteiramente contigo.
E cá vai suceder o mesmo... é só aumentar um pouco o desespero que a castanha estourará!

5:11 da tarde  

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