domingo, novembro 13, 2005

LAR DA 3ª IDADE DE AROUCA


Ontem, participei nas festividades alusivas ao 19º aniversário da entrada em funcionamento do Lar da 3ª Idade da Santa Casa da Misericórdia de Arouca.

Trata-se duma obra da maior valia no Concelho de Arouca dado que, neste momento, vivem neste Lar cerca de 100 idosos.

Quando o Lar foi inaugurado, houve muita crítica referente às cores adoptadas nas pinturas. Eu sempre gostei da solução adoptada. A cor branca ou similar daria sempre a ideia que se estava num Hospital. As cores podem ter um efeito benéfico na saúde das pessoas, se forem bem escolhidas. Neste Lar vive-se duma maneira mais positiva, dentro das limitações de saúde dos utentes.

As instalações são modelares, muito funcionais e sente-se que o Lar é um "oásis" de paz e tranquilidade para todos os utentes, que passaram toda uma vida de muito trabalho e a grande maioria sofreram grandes privações, sobretudo no período 1930/1950, em que o País passou por uma grave crise económica.

Tomei conhecimento de algumas vivências registadas no quotidiano desses idosos.

Há um grupo de Senhoras que se dedica aos bordados, à confecção de tapetes de Arraiolos e de tiras, bem como de bonecos e pequenos cestos para ofertas de prendas em datas festivas. As linhas são oferecidas pelas lojas da especialidade de Arouca bem como por uma Multinacional (Coats & Clark) e as tiras de tecido por empresas de Concelhos vizinhos.

Todo este artesanato é vendido em feiras e o produto das vendas reverte a favor da instituição.

Há, no entanto, uma Senhora ciosa dos seus trabalhos (gatos em lã) que os coloca no comércio local, não prescindindo de ficar com a totalidade do produto das vendas.

Soube, ontem, que também se registam casos de namoro entre os idosos, tendo alguns terminado em casamento.

Neste momento vivem no Lar um Homem e uma Mulher que se apaixonaram um pelo outro. Enquanto o namoro durou, os dois abandonaram a medicamentação.

O Amor é um grande remédio.

Acontece, porém que os familiares de ambos, opuseram-se ao namoro. Acabou o namoro e começou a degradação física de ambos. Voltaram aos medicamentos e vivem num estado de apatia total. Foram vencidos pela intolerância e pela incompreensão.

Um ser humano privado de afectos não vive, apenas existe. É o que, infelizmente, lhes aconteceu.

Arouca vive, como todo o País, o problema real do envelhecimento da população. Há 30/40 anos a pirâmide etária nacional caracterizava-se por ter uma base muito grande (apesar da elevada taxa de mortalidade infantil, as famílias tinham muitos filhos) e a pirâmide começava a estreitar-se muito a partir dos 50/60 anos (a esperança de vida era de 65 anos).

Presentemente, a base da pirâmide é muito mais estreita (a taxa de mortalidade infantil é muito reduzida e as famílias têm, em média, 1,4 filhos/casal). A pirâmide só começa a estreitar a partir dos 75 anos (os cuidados de saúde e a prevenção das doenças prolongam a vida dos idosos).

Podemos começar a falar que já estamos a ter uma quantidade apreciável de idosos na fase da " 4ª Idade ".

Esta circunstância positiva obriga a que se comece a pensar em novas soluções para que essas pessoas possam viver os seus últimos anos com dignidade e qualidade de vida.
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6 Comments:

Blogger Armando S. Sousa said...

Olá Duarte,
a)Não gosto da cor branca mesmo nas casas, ainda mais quando se situa no Centro Norte de Portugal. Gosto das cores desta instituição.
b)É triste que o preconceito dos filhos seja um entrave para que esse casal possa viver alegremente os últimos anos de vida. É realmente muito triste.
c) Podemos considerar já uma 4ª idade, pessoas que querem estar sempre activas apesar de uma idade avançada, um exemplo disso é o Dr Mário Soares...

7:01 da tarde  
Blogger mfc said...

Estamos perante um real problema. Como será o nosso futuro? Nas famílias numerosas esse problema esbate-se um pouco....e nas outras?
Os tempos de solidão têm que ser colmatados e há que criar muitas e muitas instituições dessas.

10:47 da tarde  
Blogger Jorge said...

Um abraço do Jorge. Afinal o planeta verde é Terra Nostra

2:15 da manhã  
Blogger Choninha said...

Beijo dos Pêra. Voltarei com tempo para o ler.

5:05 da tarde  
Blogger contradicoes said...

O mfc põe uma interrogação muito pertinente. Neste altura as instituições de solidariedade social espalhadas um pouco por todo o país vão dando alguma resposta às situações da carência de afectividade por parte da população idosa, substituindo-se de alguma forma aos familiares que não existem ou aqueles que se escusam a aparecer. Mas que futuro, face a todas estas dificuldades orçamentais terão aqueles que amanhã atinjam a 3ª. idade. Será que também disporão destes equipamentos.

11:10 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

O amor? o amor! olá planeta simpatia. bjo.

8:33 da tarde  

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