quarta-feira, março 29, 2006

Se o Ridiculo Matasse !!!!!!

Há dias o Bastonário da Ordem dos Advogados fez um balanço negativo da Justiça em Portugal, tendo afirmado “ que a Justiça tinha perdido credibilidade “ e “ que a justiça portuguesa, em alguns dos seus quadrantes, está como o Titanic: a afundar-se “

Ao ouvir essas declarações, recordei um caso que veio relatado no comunicação social, há poucas semanas e que relembro.

Um Procurador do Ministério Público de Paredes, desentendeu-se com uma Juíza de Instrução Criminal, a propósito de uma discussão sobre quem deveria proceder à destruição de uma nota falsa de 50 euros, apreendida no âmbito dum processo criminal.

Tudo começou em 11 de Outubro de 2004, dia em que a Juíza fez o seguinte despacho:
“ Declaro perdida a favor do Estado a nota falsa apreendida nos autos.
Oportunamente, o serviço do M. Público deve proceder à sua destruição “

O Procurador do M. Público entendeu que não deveriam ser os seus serviços a rasgar a nota, mas sim os funcionários da secção criminal afectos ao serviço da Juíza.

O Procurador do M. Publico recorreu para o Tribunal da Relação do Porto, tendo os Juízes Desembargadores ficado estupefactos com o recurso apresentado.

Os Desembargadores decidiram “ NIM “sobre a quem incumbe “ a magna e pesada tarefa a cumprir “.

Contas feitas, desde o despacho da Juíza, até à decisão do Tribunal da Relação do Porto, a nota falsa de 50 euros espera, há 1 ano e meio que alguém a rasgue, de modo a que o processo seja dado como concluído.

Começo a ficar convicto que, quando se fala do entupimento dos Tribunais com processos, muitos destes, são deste jaez.

Belo exemplo da eficiência judicial !!!!!!!!

Pobre País que tem um “ ORGÃO DE SOBERANIA “ a trabalhar assim.

domingo, março 26, 2006

Monumento ao Agricultor

Foi ontem inaugurado, com a presença do Sr. Ministro da Agricultura, o “ Monumento ao Agricultor “, à entrada da Vila de Arouca.

Trata-se dum conjunto escultórico em bronze, enquadrado por uma reconstrução cénica rural, a que não falta uma oliveira.

Foi autor deste monumento o escultor Laureano Ribatua, que leccionou na Escola de Belas Artes do Porto no período 1970/2000.

O “ monumento ao agricultor “ foi um projecto idealizado pela Cooperativa Agrícola de Arouca (que este ano comemora o seu 62º aniversário) e que mereceu o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal de Arouca.

O monumento pretende homenagear todos aqueles que, ao longo de séculos, transformaram uma terra com um relevo acidentado, em campos e leiras aráveis, de onde os agricultores tiravam o sustento para si e para a família.

A agricultura que se fez em Arouca ao longo dos tempos, tem séculos de sofrimento, de resistência às adversidades e de adaptação às inovações que foram surgindo.

Foi esta “pequena agricultura “ que criou os quase 200 lugares existentes no Concelho, espalhados pelas 20 freguesias do Município.

Esta agricultura fez-se, principalmente, pela acção do homem que foi também pedreiro para levantar os muros e os socalcos, carpinteiro para reparar as pontes de madeira, construir os espigueiros e reparar os carros de bois, ferreiro para afinar as alfaias agrícolas, cesteiro para fazer os cestos para a vindima e parteiro quando as crias estavam para nascer.

O ritmo da actividade agrícola estava bem delineado ao longo do ano:
Em Janeiro – era a apanha da castanha
Em Fevereiro – era o corte da ferrã
Em Março – eram as podas das videiras e das árvores de fruto
Em Abril – era a plantação das batatas
Em Maio – eram as sementeiras do milho
Em Junho – era o corte do feno, as sachas do milho, as regas e as mondas
Em Julho – eram as ceifas do trigo e do centeio
Em Agosto – eram as regas e o desbandeiramento do milho
Em Setembro – eram as colheitas e as vindimas
Em Outubro – era a recolha do milho
Em Novembro era a sementeira do centeio e da cavada
Em Dezembro – era a matança dos porcos

A mulher ocupava-se das lides domésticas, da apanha de erva para os gados e da ordenha das vacas.

À noite a mulher trabalhava as lãs e o linho, tecia as colchas e fazia as meias de lã. O homem ia até às tabernas para jogar, contar histórias e para negociar o gado e a madeira.

A EU pode condenar a maioria das explorações agrícolas de Arouca à morte, por não terem dimensão económica, pois a terra está excessivamente parcelada.

Mas a agricultura, não terá futuro, em Arouca?

A resposta só pode ser uma – TEM FUTURO.

Arouca não tem, na maioria das suas produções, capacidade para competir em quantidade com as produções europeias. Arouca tem que impor-se pela qualidade (a fruta saber a fruta, a carne bovina ser tenra, o mel ser natural e aromático etc.)

Para isso, Arouca tem que se adaptar às novas realidades. É necessário encontrar novas soluções…. para os novos problemas.

Arouca fez uma autêntica revolução no sector leiteiro (reduziu drasticamente o nºde produtores e aumentou a produção).

Por isso Arouca tem que, em termos agrícolas, adoptar, entre outras as seguintes medidas:
- estruturar o espaço agrícola , dando-lhe dimensão que permita reduzir custos
- reordenar o sector florestal
- apostar na agricultura biológica
- valorizar a raça bovina arouquesa (autóctone)
- racionalizar os rebanhos de caprinos e ovinos
- reestrutrar a vinha
- criar actividades complementares à actividade agrícola (turismo de montanha, gastronomia regional da vitela e cabrito, doçaria conventual etc.)
- aproveitar os recursos hídricos ( não se faz agricultura sem água )
- valorizar o espaço cénico natural da Serra da Freita

sexta-feira, março 24, 2006

Lucros da EDP

A EDP obteve, em 2005, um lucro recorde de 1 bilião e 71 milhões de euros.

Os lucros obtidos pela EDP cresceram, em 2005, quase 300% face a 2004.

Os entusiastas destes lucros dizem que “ é o mercado a funcionar “ e argumentam que tal recorde ficou a dever-se a situações excepcionais, a saber:
- 400 milhões de euros provenientes da venda da participação de 14% que a EDP detinha na GALP, a favor de Américo Amorim,
- 173,2 milhões de euros de lucros líquidos registados na Hidrocântabrico (Espanha ),
- 439,4 milhões de reais (cerca de 170 milhões de euros ) de lucros líquidos apurados na EdB ( Energias do Brasil ).

Os lucros poderiam ter sido maiores se, em 2005, a EDP não tivesse que recorrer à produção de electricidade a partir das centrais de ciclo combinado, em detrimento da produção hídrica, devido à seca.

Os accionistas que vão receber um dividendo de 10 cêntimos por acção devem dar os parabéns à equipa chefiada por João Talone. Esta equipa viu premiada a sua acção com a substituição por uma outra de determinada coloração politica.

E nós, os mexilhões, que vamos lucrar com isto?

O Presidente da ERSE (Entidade Reguladora do Sector Eléctrico) – Jorge Vasconcelos, já afirmou que os consumidores domésticos vão ver aumentar significativamente o preço de fornecimento de electricidade, a partir do próximo ano.

Resmas de palmas, pois a EDP precisa!!!!!!!!!

Nota Final

O País está a ser povoado de parques eólicos, um pouco por todo o lado.

Esta politica de diversificação energética é de elogiar, pois visa cumprir o Protocolo de Quioto e pretende dar cumprimento às directivas referentes às alterações climáticas.

Os preços desta “ energia verde “ são subsidiados aos produtores.

Não está certo que o Governo tenha decidido transferir a totalidade dos custos com a produção das energias eólicas para os consumidores domésticos.

terça-feira, março 14, 2006

Filme sobre o holocausto

Foi com espanto e perplexidade que li uma notícia publicada num jornal diário de hoje.

Dava-se conhecimento de que o realizador suíço Dani Levy estava a rodar, em Berlim, uma “COMÉDIA “ sobre a vida de Adolf Hitler, parodiando a relação entre os nazis e os judeus

Como é possível e admissível parodiar com uma situação que representou a morte horrorosa de cerca de 6 milhões de pessoas.e que foi uma das maiores tragédias da humanidade.

Os primeiros prisioneiros foram fuzilados, mas diziam os nazis que “ o sangue era desagradável e deixava rastos “ Rudolf Hoess optou por “ uma forma limpa”, para proceder ao extermínio.

Os prisioneiros eram seleccionados. Os homens e as mulheres que podiam trabalhar eram poupados. Os outros eram convidados a tomar um duche, sendo aconselhados a não se esquecerem onde deixavam as roupas.

Dos chuveiros saía apenas o gás mortal Zyklon B. Foram feitas experiências para se economizar no gás. Chegou-se à quantidade de 7 quilos para eliminar 2.000 pessoas em 20 minutos.

Há quem diga que “ depois de Auschwitz não é possível escrever poesia “

QUANTO MAIS FAZER UM FILME CÓMICO? Pergunto eu.

sábado, março 11, 2006

Coisas da vida

Ontem sai de casa, às 17 horas, para participar na tomada de posse dos 43 Deputados eleitos para a Assembleia da Área Metropolitana do Porto, cerimónia que teria lugar na Sede do Governo Civil do Porto.

Nesse fim de tarde ocorreram 3 casos que gostaria de partilhar com os blogonautas.

1º Caso – PORTUGUESES DESCARTÁVEIS
Quando estava a chegar a São João da Madeira ouvi o noticiário das 17.30 horas. Uma das notícias referia o seguinte – A Direcção Geral de Saúde tinha feito uma listagem das 100.000 pessoas “ESSENCIAIS “ para o País. A essas pessoas iam ser ministradas vacinas anti-virais para as proteger do H5N1., no caso de sermos atacados pela pandemia da gripe das aves.A listagem incluía profissionais da saúde, trabalhadores ligados ao sector da distribuição de electricidade, de água, de gás, bem como forças de segurança e produtores de alimentos essenciais.
Dei comigo a pensar o seguinte:
Estás lixado., pois não és essencial ao País.Acautela-te.
Sou, portanto, um Português descartável. E você, caro(a) leitor(a) é descartável ou não?

2º Caso – VANDALISMO
Procurei estacionar junto ao Governo Civil. Consegui lugar, a menos de 50 metros, mas quando procurei obter o talão para estacionamento, reparei que a máquina mais próxima tinha sido pura e simplesmente serrada e levada, com certeza pelos amigos do alheio.
Tive que procurar uma outra máquina bem longe do local de estacionamento.

3º Caso – FALTA DE PONTUALIDADE
A tomada de posse estava marcada para as 19 horas. A investidura só ocorreu às 19.20 horas, dado que não estavam, à hora marcada, todos os empossados.
A falta de pontualidade parece que é um factor genético no nosso País. Já achamos normal chegar atrasado a qualquer reunião. Este comportamento é socialmente incorrecto e denota uma falta de respeito para com os outros.
Infelizmente, há pessoas que só se sentem importantes, se fizerem esperar os demais.
Somos um País atrasado também, porque cultivamos o atraso nos nossos compromissos colectivos.