domingo, março 26, 2006

Monumento ao Agricultor

Foi ontem inaugurado, com a presença do Sr. Ministro da Agricultura, o “ Monumento ao Agricultor “, à entrada da Vila de Arouca.

Trata-se dum conjunto escultórico em bronze, enquadrado por uma reconstrução cénica rural, a que não falta uma oliveira.

Foi autor deste monumento o escultor Laureano Ribatua, que leccionou na Escola de Belas Artes do Porto no período 1970/2000.

O “ monumento ao agricultor “ foi um projecto idealizado pela Cooperativa Agrícola de Arouca (que este ano comemora o seu 62º aniversário) e que mereceu o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal de Arouca.

O monumento pretende homenagear todos aqueles que, ao longo de séculos, transformaram uma terra com um relevo acidentado, em campos e leiras aráveis, de onde os agricultores tiravam o sustento para si e para a família.

A agricultura que se fez em Arouca ao longo dos tempos, tem séculos de sofrimento, de resistência às adversidades e de adaptação às inovações que foram surgindo.

Foi esta “pequena agricultura “ que criou os quase 200 lugares existentes no Concelho, espalhados pelas 20 freguesias do Município.

Esta agricultura fez-se, principalmente, pela acção do homem que foi também pedreiro para levantar os muros e os socalcos, carpinteiro para reparar as pontes de madeira, construir os espigueiros e reparar os carros de bois, ferreiro para afinar as alfaias agrícolas, cesteiro para fazer os cestos para a vindima e parteiro quando as crias estavam para nascer.

O ritmo da actividade agrícola estava bem delineado ao longo do ano:
Em Janeiro – era a apanha da castanha
Em Fevereiro – era o corte da ferrã
Em Março – eram as podas das videiras e das árvores de fruto
Em Abril – era a plantação das batatas
Em Maio – eram as sementeiras do milho
Em Junho – era o corte do feno, as sachas do milho, as regas e as mondas
Em Julho – eram as ceifas do trigo e do centeio
Em Agosto – eram as regas e o desbandeiramento do milho
Em Setembro – eram as colheitas e as vindimas
Em Outubro – era a recolha do milho
Em Novembro era a sementeira do centeio e da cavada
Em Dezembro – era a matança dos porcos

A mulher ocupava-se das lides domésticas, da apanha de erva para os gados e da ordenha das vacas.

À noite a mulher trabalhava as lãs e o linho, tecia as colchas e fazia as meias de lã. O homem ia até às tabernas para jogar, contar histórias e para negociar o gado e a madeira.

A EU pode condenar a maioria das explorações agrícolas de Arouca à morte, por não terem dimensão económica, pois a terra está excessivamente parcelada.

Mas a agricultura, não terá futuro, em Arouca?

A resposta só pode ser uma – TEM FUTURO.

Arouca não tem, na maioria das suas produções, capacidade para competir em quantidade com as produções europeias. Arouca tem que impor-se pela qualidade (a fruta saber a fruta, a carne bovina ser tenra, o mel ser natural e aromático etc.)

Para isso, Arouca tem que se adaptar às novas realidades. É necessário encontrar novas soluções…. para os novos problemas.

Arouca fez uma autêntica revolução no sector leiteiro (reduziu drasticamente o nºde produtores e aumentou a produção).

Por isso Arouca tem que, em termos agrícolas, adoptar, entre outras as seguintes medidas:
- estruturar o espaço agrícola , dando-lhe dimensão que permita reduzir custos
- reordenar o sector florestal
- apostar na agricultura biológica
- valorizar a raça bovina arouquesa (autóctone)
- racionalizar os rebanhos de caprinos e ovinos
- reestrutrar a vinha
- criar actividades complementares à actividade agrícola (turismo de montanha, gastronomia regional da vitela e cabrito, doçaria conventual etc.)
- aproveitar os recursos hídricos ( não se faz agricultura sem água )
- valorizar o espaço cénico natural da Serra da Freita

4 Comments:

Blogger lazuli said...

gostei de ver essa bela escultura e de te ler.
Fernanda

10:47 da tarde  
Blogger Carlos said...

... um grande abraço aos "teimosos" agricultores!



... um


xi-coração p'ró Duarte
e
um beijão
para a

GRZL

1:24 da manhã  
Blogger contradicoes said...

Estes agricultores, merecem efectivamente ser homenageados porque são uns resistentes. Lutam pela sua sobrevivência sem nunca estarem dependentes do subsídio agricola a que se habituaram os agricultores do sul.
Merecem por isso para além desta estátua que lhe tiremos o chapéu. Com um abraço do Raul

9:42 da tarde  
Blogger eduardo said...

Belissíma descrição desta terra que não conheço.

Mentira! Com tal relato até me dá a sensação de ter feito parte dessa comunidade. ;)

Um abraço.

11:14 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home