quinta-feira, maio 11, 2006

TRUFEIRA DA SERRA DA FREITA

Nos próximos dias 4 e 5 de Junho a Quercus vai organizar um acampamento com vista a sensibilizar a população para a necessidade de proteger as zonas de turfeiras existentes na Serra da Freita (Arouca).

A Quercus está a desenvolver projectos de micro-reservas biológicas, para proteger pequenas áreas de relevância ambiental.

Os dois primeiros projectos de micro-reservas concretizaram-se em Idanha-a-Nova com a aquisição duma escarpa de nidificação de aves rupícolas (bufo-real, cegonha-preta, abutre do Egipto e águia de Bonelli), bem como uma gruta de morcegos na Serra de Sicó (Alvaiázere).

O terceiro projecto de micro-reserva biológica que a Quercus quer desenvolver, incide nas turfeiras da Serra da Freita, localizadas a mais de 1.000 metros de altitude.

Há 700 milhões de anos a área de Arouca encontrava-se submersa pelas águas marinhas (idade Pré-câmbrico). Depois o mar voltou a aprofundar-se depositando argilas que vieram a dar origem aos xistos fossilizados e no período hercínico (300 milhões de anos) devido às deformações orogénicas, formou-se o carvão, proveniente de restos vegetais arrancados das margens pelos rios

É desses avanços e recuos, do gelo e do degelo ocorrido nesses períodos longínquos que se formaram as turfeiras.

As turfeiras da Serra da Freita são zonas atapetadas por musgos, urzes, carqueja, tojo, corrijo e de plantas insectívoras como a orvalhinha que encontram condições ideais para crescerem em zonas onde abundam sedimentos finíssimos de vegetais fossilizados.

A fotografia inserida no início do texto mostra uma dessas zonas turfeiras.

A turfeira da Serra da Freita é uma pequena área de 2,4 hectares que vai ser gerida pela Quercus, em parceria com a Assembleia de Compartes, por 15 anos, porque o terreno é baldio e, por isso, não pode ser objecto de venda.

A intervenção na turfeira vai contar essencialmente das seguintes acções:
- colocação de vedação para impedir o acesso de pessoas e gado
- moderação no pastoreio
- limitação ao uso de queimadas
- proibição de uso de fertilizantes, execução de obras de drenagem e circulação de veículos motorizados

Trata-se duma pequena intervenção no terreno, mas que se revela importante para proteger mais de 130 espécies botânicas importantes pela sua raridade.

1 Comments:

Blogger Francis C. Afonso said...

Um excelente projecto. Meu caro Duarte, você tem sempre uma boa novidade para nos dar.

11:52 da tarde  

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